Brasil se torna 2º maior mercado para a cannabis uruguaia devido ao aumento de autorizações da Anvisa
Crescimento de autorizações da Anvisa e demanda por medicamentos impulsionam exportações do Uruguai para o Brasil
Por Redação Diário Local
O Brasil se tornou o segundo mercado mais relevante para a exportação de cannabis do Uruguai, conforme informou a cônsul-geral uruguaia em São Paulo, María Noel Reyes. O anúncio ocorreu nesta terça-feira (22) durante o lançamento da 4ª edição da ExpoCannabis Brasil, na capital paulista.
O crescimento do comércio entre os dois países é atribuído à ampliação das autorizações concedidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e ao aumento da demanda brasileira por medicamentos à base de cannabis. Para especialistas do setor presentes no evento, o Brasil já atua como o principal motor de expansão da indústria na América Latina.
A cônsul María Noel Reyes explicou que o Uruguai estruturou, ao longo de mais de 10 anos, um ambiente regulatório focado na exportação. O país busca competitividade frente a nações como Canadá, Colômbia, Portugal, Israel e Austrália por meio de diferenciais como estabilidade regulatória, segurança jurídica e rastreabilidade da produção.
Entre os itens enviados ao mercado brasileiro estão flores secas para uso medicinal, sementes certificadas, genética vegetal e ingredientes farmacêuticos. Segundo a diplomata, as flores destinadas ao processamento farmacêutico representam a maior parte do volume exportado pelo Uruguai.
A cofundadora da ExpoCannabis Uruguai, Mercedes Ponce de León, reforçou que o cenário brasileiro, composto por centenas de milhares de pacientes e milhares de médicos prescritores, favorece novas alianças em pesquisa e inovação. Para ela, o Brasil é o vetor de crescimento industrial na região.
A CEO da ExpoCannabis Brasil, Larissa Uchida, avalia que a experiência do país no setor agrícola pode posicionar o Brasil entre os maiores produtores mundiais da planta. A ampliação da regulamentação, segundo ela, tem potencial para impulsionar também os setores de biocombustíveis, construção civil, indústria têxtil e cosméticos.
No campo científico, a pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Daniela Bittencourt, destacou que novas resoluções da Anvisa entram em vigor no próximo mês. As normas permitirão o cultivo de cannabis voltado tanto para fins medicinais quanto para pesquisas científicas em território nacional.
Apesar do avanço regulatório, a pesquisadora da Embrapa ressaltou que a autorização para o plantio é apenas o primeiro passo da cadeia produtiva. Segundo Bittencourt, o desenvolvimento científico será essencial para estruturar o setor e garantir que o cultivo resulte em acesso efetivo a medicamentos para a população.
