Expansão de combustível sustentável na China pode gerar escassez de matéria-prima na Europa
Novos projetos de combustível de aviação na China podem reduzir exportações de óleo de cozinha usado até 2028, segundo relatório.
Por Redação Diário Local
A rápida expansão da produção de combustível de aviação sustentável (SAF) na China pode causar uma escassez global de matéria-prima até 2028. O crescimento de novos projetos no país asiático pode interromper as cadeias de abastecimento de mercados europeus que dependem das exportações chinesas para cumprir requisitos de emissões.
De acordo com relatório da BloombergNEF, a China anunciou 16 novos projetos de combustível sustentável no primeiro semestre de 2026, enquanto o restante do mundo registrou apenas quatro empreendimentos no período. O movimento é liderado por empresas estatais, como a China Petroleum and Chemical Corp. (Sinopec) e a China National Petroleum Corp.
Por que a matéria-prima pode faltar?
O principal insumo para a produção comercial de SAF é o óleo de cozinha usado, que representa 80% da matéria-prima utilizada no setor. A China é responsável por fornecer quase metade de todo o óleo de cozinha usado do mundo, tornando-se essencial para a transição do setor aéreo global.
Com a implementação de mandatos de mistura de combustível sustentável pela União Europeia e pelo Reino Unido a partir de 2025, a demanda por esse insumo chinês aumentou. Em resposta, Pequim eliminou, no final de 2024, um desconto de 13% no imposto de exportação sobre o óleo de cozinha usado, visando garantir o suprimento para as refinarias nacionais.
Se a capacidade de produção planejada pela China entrar em operação conforme o esperado, o consumo interno poderá reduzir drasticamente as exportações futuras do óleo. Atualmente, o mercado chinês de SAF é voltado majoritariamente para o exterior, com a Europa comprando 99% da produção existente.
Controle estatal e custos operacionais
O setor de combustível verde na China também apresenta um aumento no controle governamental. Embora as estatais operem hoje 18% da capacidade de produção atual do país, elas representam 46% da nova capacidade de 2,9 milhões de toneladas que foi recentemente anunciada.
A Sinopec, por exemplo, concluiu a aquisição da China National Aviation Fuel Group em julho de 2026, controlando agora a principal distribuidora de combustível de aviação do país. Isso garante à estatal um canal direto da produção até o fornecimento nos aeroportos.
Apesar do aumento na oferta, o uso obrigatório do combustível sustentável ainda enfrenta resistência das companhias aéreas devido aos altos custos. O interesse pelo produto subiu este ano devido ao aumento nos preços do querosene de aviação convencional, mas a oferta restrita e o preço ainda limitam a demanda em regiões sem exigências de mistura obrigatória.
Para reduzir a dependência do óleo de cozinha usado, produtores chinesas estão investindo em tecnologias alternativas de produção de SAF.
