Conselho Nacional de Política Energética pode votar aumento da mistura de etanol na gasolina nesta terça
Decisão do CNPE pode reduzir necessidade de importação de gasolina em 500 milhões de litros por mês, segundo o Ministério de Minas e Energia.
Por Davy Albuquerque
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) pode decidir, nesta terça-feira (14), sobre o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%. A proposta faz parte do programa Combustível do Futuro, que visa ampliar o uso de biocombustíveis e reduzir as emissões de gases de efeito estufa no transporte.
De acordo com o Ministério de Minas e Energia, a adoção do nível de 32% (E32) pode reduzir em cerca de 500 milhões de litros por mês a necessidade de importação de gasolina. Na avaliação do Ministério, esse volume seria suficiente para garantir a autossuficiência do Brasil no abastecimento do combustível.
A mistura obrigatória já havia passado por um aumento em junho de 2025, quando subiu de 27,5% para os atuais 30%. A nova votação ocorre em um período de volatilidade no mercado internacional de petróleo, influenciado por tensões no Oriente Médio.
O que diz a indústria de cana-de-açúcar?
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) defende o aumento, afirmando que a medida representa a continuidade da política de incentivo aos biocombustíveis no país. Segundo a entidade, a mudança contribui para a segurança energética e para a redução da dependência de importações.
A Unica estima que a alteração elevará a demanda por etanol anidro em aproximadamente 1 bilhão de litros por ano, em comparação ao cenário atual de 30% de mistura. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o aumento é respaldado por estudos técnicos que comprovam a segurança da nova mistura para a frota de veículos brasileira.
Subsídios e preços dos combustíveis
Além da mistura, o governo avalia a retirada parcial ou total do subsídio aplicado à gasolina, criado para conter os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, sinalizou que essa análise deve ocorrer nesta semana.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmou que o governo mantém o compromisso com a retirada dos subsídios, mas que a medida aguarda a estabilização dos preços internacionais. Segundo Motta, houve alinhamento com os ministros de Minas e Energia e do Planejamento sobre o avanço da proposta que tramita no Legislativo.
No âmbito regional, levantamentos do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara indicam que, embora não haja risco de desabastecimento, a alta global do petróleo pressiona os custos de gasolina, etanol e diesel, impactando o custo de vida.
