Redes de supermercados não avançam na venda de ovos livres de gaiolas, aponta estudo
Levantamento da ONG Alianima mostra que 64% das redes não aumentaram a oferta de ovos 'cage-free' ou sofreram retrocessos.
Por Davy Albuquerque
A maioria das redes de supermercados no Brasil não apresentou avanços na transição para a venda exclusiva de ovos de galinhas criadas fora de gaiolas, conforme aponta o estudo anual do Observatório do Ovo, da ONG Alianima.
O levantamento mostra que, embora mais de 160 empresas brasileiras dos setores de alimentação e hotelaria tenham assumido compromissos públicos para adotar o sistema conhecido como "cage-free" (livre de gaiolas), o progresso é desigual. As metas estabelecidas pelas próprias companhias preveem prazos de cumprimento entre 2021 e 2030.
No entanto, o relatório indica que 64% das redes não aumentaram a oferta de marcas de ovos livres de gaiolas ou apresentaram retrocessos. Além disso, 24% das empresas que assumiram o compromisso não realizam a prestação de contas sobre o avanço das metas.
Quais os principais obstáculos para a transição?
Ao serem consultadas pela Alianima, as redes de supermercados apontaram dificuldades que travam a migração para o sistema livre de gaiolas. O custo elevado do produto foi citado por 67% das empresas como um dos principais obstáculos.
A falta de informação também é um fator relevante: 44% das empresas relataram que os consumidores não conhecem o assunto, enquanto 33% apontaram baixa aceitação dos clientes. Em termos de logística, as regiões Norte e Nordeste foram classificadas como as mais difíceis para o abastecimento de ovos produzidos nesse sistema.
Por outro lado, a transição é vista como um ponto positivo para a imagem corporativa, com 78% das empresas afirmando que o movimento gera uma percepção favorável da marca. Outros fatores citados foram a falta de apoio de associações (22%) e a ausência de dificuldades por parte de 33% das empresas consultadas.
O que é o sistema cage-free?
O sistema "cage-free" permite que as galinhas sejam criadas soltas no galpão, sem o confinamento das gaiolas tradicionais. No modelo convencional, as aves costumam ficar presas em espaços reduzidos, muitas vezes dividindo o mesmo local com até 11 animais, sem possibilidade de realizar comportamentos naturais.
No modelo livre de gaiolas, a ave tem liberdade durante o período de produção. O Instituto Certified Humane Brasil estabelece normas para esse tipo de criação com foco no bem-estar animal, incluindo regras de espaço por metro quadrado e acesso a comedouros e poleiros.
