Crédito em atraso atinge recorde de R$ 247,6 bilhões no primeiro quadrimestre de 2026
Volume de inadimplência no sistema financeiro é o maior desde 2004 e teve alta de 50,7% em um ano, aponta Fecomercio-SP
Por Diário Local
O volume de crédito em atraso no Brasil atingiu R$ 247,6 bilhões no primeiro quadrimestre de 2026, o maior montante registrado desde o início da série histórica do Banco Central (BC), em 2004. Os dados, baseados em informações do BC, foram divulgados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP).
O valor representa uma alta de 50,7% em relação ao mesmo período de 2025, quando o estoque de dívidas em atraso somava R$ 164,3 bilhões. O recorde considera débitos com mais de 90 dias de inadimplência no sistema financeiro e já desconta o efeito da inflação.
A variação de R$ 83,3 bilhões ocorrida em 12 meses equivale a quase todo o volume de crédito em atraso que o país acumulava em 2018, quando o montante era de R$ 84,7 bilhões, segundo levantamento da entidade.
Por que a inadimplência aumentou?
A deterioração do quadro de devedores está associada a fatores como a elevação da taxa Selic (juros básicos), a inflação e o crescimento das apostas esportivas on-line. A taxa de juros elevada compromete a renda das famílias com o pagamento de encargos, reduzindo a capacidade de quitar outras dívidas.
A inflação, pressionada por reflexos de conflitos internacionais sobre os preços de combustíveis e alimentos, faz com que consumidores posterguem parcelas para manter gastos essenciais, como moradia e transporte. Além disso, a Fecomercio-SP aponta que as apostas on-line passaram a disputar espaço no orçamento familiar.
O problema não está concentrado em apenas um tipo de dívida. Segundo a Fecomercio-SP, a piora simultânea em modalidades como financiamento imobiliário, crédito consignado, empréstimo pessoal e o rotativo do cartão de crédito indica que a inadimplência está disseminada por todo o sistema.
Expansão por todo o país
Todos os estados brasileiros registraram recorde no volume de crédito em atraso no período. A maior variação percentual ocorreu na Região Centro-Oeste, com alta de 69,3%, seguida pelo Sul (66,1%), Norte (62,7%), Nordeste (47,4%) e Sudeste (37,9%).
Entre as unidades da federação com maior crescimento em relação a 2025, Tocantins liderou com expansão de 105%. Outros estados com altas expressivas foram Rio Grande do Sul (95,7%), Maranhão (93,5%), Mato Grosso (83,1%) e Goiás (81,3%).
São Paulo respondeu por 22,2% do total nacional de crédito em atraso, com um crescimento de 36,8%, valor que ficou abaixo da média do país. Os estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro somaram juntos 52,6% do total nacional.
