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Economia

Gastos com cuidadores e home care podem comprometer o orçamento de famílias na velhice

Falta de planejamento para gastos com cuidadores, adaptações residenciais e instituições de longa permanência pode gerar dívidas para filhos e parentes.

Por Davy Albuquerque

O planejamento financeiro para a aposentadoria deve considerar custos que muitas vezes passam despercebidos, como serviços de cuidador, home care, adaptações residenciais e instituições de longa permanência para idosos (ILPIs). A falta de previsão para essas despesas pode comprometer o orçamento não apenas de quem envelhece, mas de toda a estrutura familiar.

Segundo Antônio Leitão, gerente do Instituto de Longevidade MAG, gastos com assistência e modificações na casa tendem a exercer um impacto prolongado sobre o patrimônio das famílias, por poderem se estender por longos períodos. A ausência de preparo pode levar a decisões tomadas em momentos de urgência.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a expectativa de vida no Brasil atingiu 76,6 anos, o que reforça a necessidade de planejar cenários de saúde e dependência.

Por que o planejamento deve começar cedo?

Especialistas defendem que a preparação para eventuais situações de dependência deve ocorrer ainda durante a vida economicamente ativa. Segundo Leitão, esse é o período em que há mais tempo para acumular patrimônio e estruturar mecanismos de proteção, garantindo maior liberdade de escolha no futuro.

Fátima Monteiro, presidente do Clube dos Corretores de Seguros do Rio de Janeiro (CCS-RJ), observa que o gasto com saúde costuma ser o item mais pesado no orçamento da aposentadoria. Ela ressalta a importância de prever a contratação de cuidadores conforme a necessidade de autonomia dos idosos.

Os riscos do improviso financeiro

Quando a necessidade de cuidados surge sem reserva prévia, a reorganização financeira ocorre sob pressão. Esse cenário pode gerar um efeito em cascata: parentes podem reduzir a carga de trabalho ou abandonar cargos para assumir as responsabilidades, o que diminui a renda total da família e gera conflitos internos.

Monteiro aponta que o recurso ao crédito é uma consequência frequente. O uso de empréstimos consignados no contracheque do idoso pode criar uma dívida persistente devido às altas taxas de juros, reduzindo a qualidade de vida.

Outro impacto relevante é sobre a chamada 'geração sanduíche' — adultos que sustentam financeiramente os filhos e cuidam dos pais ao mesmo tempo. Essa dupla responsabilidade pode comprometer a construção da própria aposentadoria desses cuidadores.

Como se preparar para a longevidade?

Não existe uma solução única, pois a estratégia depende do patrimônio e da realidade de cada família. Leitão sugere a combinação de diferentes instrumentos de proteção, incluindo a manutenção de uma reserva específica para emergências de saúde.

O uso da previdência privada é citado como uma alternativa para acumular renda e oferecer maior previsibilidade de recursos durante os anos de aposentadoria.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.