Inflação baixa e tensão em Ormuz dividem forças no mercado e impactam Ibovespa e dólar
Dados de inflação favoráveis aumentam aposta em cortes da Selic, mas tensões no Oriente Médio elevam o risco e podem fortalecer o dólar
Por Davy Albuquerque
O mercado financeiro brasileiro inicia a semana dividido entre o impacto positivo dos dados de inflação e a incerteza provocada por tensões geopolíticas no Oriente Médio. Enquanto a desaceleração do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) fortalece a expectativa de novos cortes na taxa Selic, o aumento das tensões no Estreito de Ormuz eleva o risco global e pode pressionar o dólar e o petróleo.
Na última semana, o resultado da inflação de junho surpreendeu ao mostrar uma desaceleração, especialmente em itens como alimentos e combustíveis. O dado impulsionou o Ibovespa, que chegou a superar a marca de 177 mil pontos, refletindo a aposta de que o Banco Central terá espaço para continuar o ciclo de redução dos juros básicos.
Por que as tensões no Oriente Médio preocupam o mercado?
A preocupação central reside no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo e gás. A deterioração do ambiente geopolítico na região pode causar interrupções no fluxo de energia, o que elevaria o preço das commodities energéticas e, consequentemente, a inflação global.
Esse cenário de incerteza aumenta a aversão ao risco por parte dos investidores. Em momentos de instabilidade internacional, há uma tendência de busca pelo dólar, o que pode fortalecer a moeda americana frente ao real e interromper o processo de queda nos juros de longo prazo.
A combinação entre um câmbio mais pressionado e o custo mais elevado do petróleo pode, inclusive, contaminar as expectativas de inflação que até então mostravam sinais de melhora no Brasil.
Como os ativos podem reagir neste cenário?
A expectativa é de que ocorra uma atuação distinta entre os diferentes prazos dos juros e as bolsas. Na curva de juros, os vencimentos mais curtos tendem a acompanhar a melhora das perspectivas inflacionárias domésticas, enquanto os prazos mais longos podem exigir prêmios maiores devido aos riscos externos.
Para o Ibovespa, o cenário técnico é de monitoramento. O índice rompeu uma faixa de consolidação e, caso consiga superar a resistência de 177.748 pontos, pode buscar novos patamares de valorização. No entanto, a velocidade com que choques geopolíticos impactam as expectativas é o principal fator de risco para a continuidade desse avanço.
O equilíbrio dos ativos brasileiros dependerá da manutenção da operação normal no Estreito de Ormuz e da estabilidade na oferta de petróleo. Se o Brent (referência do petróleo) permanecer em níveis controlados, o fluxo de capital para mercados emergentes pode continuar sustentando a Bolsa local.
