Desemprego no Brasil cai para 5,3% e atinge o menor nível para o período na série histórica
Taxa de desocupação recua frente ao trimestre encerrado em abril e população ocupada atinge 103,3 milhões de pessoas.
Por Redação Diário Local
A taxa de desemprego no Brasil recuou para 5,3% no trimestre encerrado em julho, atingindo o menor patamar para esse intervalo na série histórica iniciada em 2012. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (27).
O indicador, que faz parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), mostra uma queda em relação aos 5,8% registrados no trimestre que terminou em abril. De acordo com o IBGE, o número de desempregados caiu para 5,8 milhões de pessoas, o menor contingente para o período.
A população ocupada, que exerce algum tipo de atividade laboral, chegou a 103,3 milhões de pessoas de 14 anos ou mais. O número representa um aumento de 1% frente ao período encerrado em abril, consolidando a maior ocupação para esses trimestres na série da pesquisa.
O que impulsionou a ocupação?
O principal motor para o aumento do emprego no trimestre foi o setor de construção, que apresentou um crescimento de 5,1%, com a adição de 371 mil trabalhadores. Segundo o IBGE, o avanço ocorreu tanto na construção de edifícios quanto em obras de infraestrutura, com destaque para a contratação de pedreiros.
Apesar da alta na ocupação, a informalidade teve peso relevante no crescimento. Do total de 1 milhão de novos ocupados no trimestre, 65,6% (657 mil pessoas) estavam em postos sem carteira assinada ou CNPJ. O economista Rodolpho Tobler, do FGV Ibre, aponta que esse movimento sinaliza uma desaceleração, já que o crescimento é puxado por vagas informais em vez do mercado formal.
Essa dinâmica também influenciou a renda média, que recuou 0,7% e passou a ser de R$ 3.762 por mês. O IBGE, contudo, classifica o resultado como estabilidade, pois a variação está dentro da margem de erro estatística. A queda na renda pode estar atrelada à composição das novas vagas, que possuem salários menores.
Como está o mercado formal?
O setor privado com carteira assinada registrou um aumento de 0,4%, o que significa 139 mil novos empregos formais no trimestre. Embora o crescimento seja considerado estável pelo IBGE, o número total de pessoas com registro em carteira renovou o recorde histórico, alcançando 39,4 milhões de trabalhadores.
O rendimento médio da população ocupada, ao ser comparado com o mesmo período do ano anterior, ainda apresenta alta de 3,3%, atingindo os R$ 3.762 (com valores ajustados pela inflação).
Especialistas ouvidos apontam que o mercado de trabalho segue robusto, mas com sinais de perda de tração. A economista Ariane Benedito, do PicPay, projeta que os próximos meses devem apresentar uma acomodação gradual dos números, sem uma queda brusca, mantendo o desemprego em níveis historicamente baixos.
