Taxas de juros futuras (DIs) fecham com variações discretas após IPCA-15 e dados dos EUA
Indicador de inflação registrou deflação maior que o esperado, mas aceleração nos serviços subjacentes limitou o movimento das taxas de juros.
Por Redação Diário Local
As taxas de juros futuras (DIs) fecharam a quarta-feira (26) com variações discretas após a divulgação do IPCA-15 de agosto e novos dados econômicos dos Estados Unidos. O índice de inflação em potencial apresentou deflação maior do que a prevista pelo mercado, mas a aceleração em setores específicos limitou o movimento das taxas.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15 recuou 0,40% em agosto, após ter subido 0,06% em julho. A queda foi superior ao recuo de 0,30% esperado por analistas. No entanto, a composição do indicador mostrou resiliência em alguns pontos.
A inflação de serviços subjacentes, que desconsidera itens mais voláteis, subiu de 0,30% em julho para 0,50% em agosto. A taxa de serviços intensivos em mão de obra também registrou aceleração, passando de 0,48% para 0,55% no mesmo período. Já a média dos núcleos de inflação acompanhados pelo Banco Central subiu de 0,20% em julho para 0,22% em agosto.
O que explica a variação das taxas?
A volatilidade das taxas de juros durante o pregão foi influenciada pelo balanço qualitativo do indicador de inflação. Na abertura do dia, a taxa do DI para janeiro de 2028 registrou mínima de 13,735%, mas recuperou-se até atingir 13,865% no meio da tarde.
A reação do mercado refletiu a surpresa com a deflação do índice cheio, seguida por um ajuste ao observar que os serviços subjacentes apresentaram alta acima do esperado. Por outro lado, o item alimentação no domicílio trouxe um alívio, com deflação de 0,97% em agosto, após queda de 1,14% em julho.
Cenário nos Estados Unidos
No exterior, o rendimento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries) ganhou força. O Departamento de Comércio dos EUA informou que o índice de inflação PCE subiu 0,2% em julho, após cair 0,1% em junho. Nos 12 meses acumulados até julho, a alta foi de 3,7%.
O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no segundo trimestre cresceu 1,5%, acompanhando as expectativas do mercado. Esse cenário de dados econômicos americanos ofereceu suporte para a movimentação das taxas de juros brasileiras.
Dívida pública federal
O Tesouro Nacional comunicou que a dívida pública federal do Brasil apresentou alta de 0,22% em julho em relação a junho, totalizando R$ 9,289 trilhões. O órgão também realizou ajustes nas projeções de composição da dívida para este ano.
A fatia esperada de títulos atrelados à taxa Selic subiu do intervalo anterior de 46% a 50% para a faixa de 49% a 53%. Em contrapartida, a participação prevista para os títulos ligados à inflação foi reduzida para o intervalo de 21% a 25%, enquanto os papéis prefixados tiveram a projeção ajustada para 20% a 24%.
