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Economia

Desenrola 2.0 movimenta R$ 44,7 bilhões, mas endividamento das famílias segue em patamar elevado

Apesar do volume de renegociações do programa, dados da CNC e Serasa mostram que o endividamento das famílias permanece alto.

Por Redação Diário Local

O programa Desenrola 2.0 movimentou R$ 44,7 bilhões em crédito em menos de três meses de vigência, segundo dados do Ministério da Fazenda. O volume indica um ritmo de negociações mais acelerado do que o registrado na primeira edição do projeto.

Apesar do volume de recursos, os indicadores mais recentes mostram que o impacto no nível de endividamento da população ainda não é significativo. Em junho, 81,6% das famílias brasileiras estavam endividadas, mantendo o patamar de maio, de acordo com a Confederação Nacional do Comércio (CNC).

O cenário de inadimplência segue pressionado. Segundo o Serasa, o país atingiu 83,7 milhões de pessoas negativadas no mês passado, o maior número da série histórica, após 18 meses de alta consecutiva.

Por que o endividamento continua alto?

O uso de modalidades de crédito mais caras é o principal fator de pressão. Segundo a CNC, o cartão de crédito foi citado por 84,7% dos consumidores como causa de dívidas, superando o carnê de loja (16%) e o crédito pessoal (13,2%).

Dados do Serasa reforçam essa tendência ao apontar que 27,2% das dívidas estão ligadas a bancos e cartões de crédito. Outros compromissos relevantes incluem contas básicas (21,3%) e dívidas financeiras (19,6%).

O Banco Central (BC) também emitiu um alerta sobre o comprometimento da renda. Em nota do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), divulgada no início de julho (2026), a autoridade monetária afirmou que o endividamento segue em trajetória de alta devido ao uso intensivo de crédito rotativo.

Como funciona o Desenrola 2.0?

Lançado em maio, o programa busca facilitar a regularização de débitos com descontos de até 90%, juros de até 1,99% ao mês e parcelamento em até 48 meses. Diferente da etapa anterior, a medida atual também atende micro, pequenas e médias empresas.

No segmento empresarial, o programa movimentou R$ 21,7 bilhões via Pronampe e R$ 1,5 bilhão pelo Procred. As operações com garantia do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) somaram R$ 55,5 milhões em 97 mil contratos.

Para pessoas físicas, podem participar consumidores com renda mensal de até cinco salários mínimos. Os débitos devem ser de cartão de crédito, cheque especial ou crédito pessoal, contratados até 31 de janeiro de 2026 e com atraso entre 91 dias e dois anos.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.