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Economia

Alta do dólar após eleição pode fazer Copom pausar cortes da taxa Selic, dizem economistas

Desvalorização do real após a reeleição de Lula gera pressão inflacionária e pode levar o Banco Central a manter a Selic em 13,75%.

Por Redação Diário Local

A alta do dólar após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode levar o Banco Central a adotar uma postura mais cautelosa na condução dos juros, segundo avaliações de economistas. Com o real desvalorizado, a tendência de pressão sobre a inflação pode fazer com que o Comitê de Política Monetária (Copom) interrompa o ciclo de cortes da taxa Selic, que atualmente está em 13,75% ao ano.

O cenário de desvalorização cambial altera as expectativas que o mercado tinha anteriormente. Com a reeleição confirmada, a percepção de continuidade da política econômica atual sugere que a queda dos preços pode ocorrer de forma mais lenta.

Por que o dólar alto impacta os juros?

O pesquisador associado do FGV Ibre, Samuel Pessoa, explica que a desvalorização do câmbio provocou um choque de preços. Por esse motivo, ele projeta que o Copom mantenha a Selic em 13,75% nas próximas duas reuniões do comitê.

Pessoa afirma que o Copom monitora a dinâmica da inflação, que apresentou piora, o que elimina o espaço para uma possível queda da taxa de juros até o final deste ano.

Antes do resultado do primeiro turno, existia uma perspectiva de que uma possível vitória de Flávio Bolsonaro favoreceria os juros. A expectativa era de que um ajuste fiscal e a valorização do real permitiriam uma redução mais acelerada da taxa.

Quais são os riscos para a inflação?

Milena Landgraf, CIO de estratégia macro da Jubarte Capital, defende a manutenção dos juros estáveis já na reunião da próxima semana. Para a economista, o câmbio elevado deve pressionar as expectativas de inflação, que podem aparecer mais altas nos próximos boletins Focus, o relatório semanal do Banco Central.

A trajetória dos juros nas próximas reuniões dependerá, sobretudo, dos sinais que o governo der em relação ao compromisso com o ajuste fiscal e ao controle da dívida pública.

Além da questão fiscal, a economista aponta riscos adicionais para a inflação de 2027 que ainda não foram totalmente incorporados às projeções. Entre esses fatores, ela cita os possíveis impactos da reforma tributária e da mudança na escala de trabalho 6x1 sobre os preços.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.