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Comércio Exterior

EUA colocam Brasil em lista de risco comercial por suspeita de ajudar China a burlar tarifas

Relatório da Casa Branca aponta que Brasil atua como plataforma de logística para simular origem de produtos chineses.

Por Redação Diário Local

O governo dos Estados Unidos incluiu o Brasil em uma lista de mais de 40 países acusados de ajudarem a China a burlar tarifas de importação. Segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (13), o país foi classificado em um nível de integração econômica significativa com o mercado chinês.

A prática apontada é o transbordo comercial (do inglês transshipping), que ocorre quando produtos chineses são enviados para outros países para embalagem e montagem, visando alterar a origem declarada da mercadoria. O objetivo seria mascarar as exportações vindas de Pequim para evitar os impostos impostos pelos Estados Unidos.

De acordo com o assessor comercial da Casa Branca, Peter Navarro, esse processo tem permitido que a China "lave" suas exportações durante anos. O relatório indica que a tática ameaça fábricas e empregos americanos, além de gerar perdas bilionárias em arrecadação tributária para o governo dos EUA.

Como funciona a classificação de risco?

O documento oficial classifica os países em três níveis de ligação com a China. O Brasil foi enquadrado no "nível 2", ao lado de nações como Indonésia, Malásia, Tailândia, Turquia e Vietnã. Esses países combinam volumes de transbordo com uma integração profunda em cadeias de abastecimento, plataformas de manufatura ou canais logísticos chineses.

Na visão da Casa Branca, o Brasil atua como uma importante plataforma regional de produção e logística, o que facilita a simulação da transformação de produtos. Já o "nível 1" da lista reúne países como Canadá, União Europeia, Índia, Israel, Japão, México, Coreia do Sul e Taiwan, que movimentam os maiores volumes absolutos de transbordo.

Medidas contra o transbordo comercial

Para enfrentar o problema, a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP) começou a utilizar inteligência artificial em um programa piloto. O objetivo é identificar quando um importador falsifica a origem de um item. Caso a fraude seja comprovada, as tarifas podem ser aplicadas de forma retroativa, cobrindo o ano anterior.

Peter Navarro afirmou que os novos acordos comerciais promovidos pelo governo Trump passarão a incluir cláusulas para punir parceiros que adotem a prática de transbordo. O governo americano tem utilizado tarifas elevadas para tentar proteger os fabricantes locais, embora o cenário também gere pressões inflacionárias no país.

O relatório apresenta estimativas de que entre US$ 34,2 bilhões e US$ 303 bilhões em mercadorias sejam redirecionadas anualmente para evitar o pagamento de impostos nos Estados Unidos.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.