Diário Local
Relações Bilaterais

Marco Rubio acusa Lula de falta de boa-fé em negociações após tarifa de 25% dos EUA

Secretário de Estado americano afirma que governo brasileiro não negociou de boa-fé e que tarifas são resposta a questões políticas.

Por Davy Albuquerque

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o presidente Lula e seu governo não negociaram de boa-fé com os Estados Unidos. Segundo Rubio, as políticas econômicas atuais do Brasil são prejudiciais para ambos os países.

Em declarações feitas nas redes sociais, o secretário de Estado acusou o presidente brasileiro de colocar o próprio ego acima da realização de um acordo que beneficiaria o povo brasileiro. Para Rubio, a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros é uma consequência dessa postura.

A medida, que tem previsão de entrar em vigor no dia 22 de julho, gera divergências de interpretação entre as autoridades de Washington e Brasília. Enquanto o discurso de Rubio aponta para motivações políticas, o órgão responsável pela decisão apresenta justificativas comerciais.

O que diz o USTR sobre a aplicação das tarifas?

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), órgão que conduziu a investigação que resultou na sobretaxa, negou que a decisão tenha sido motivada por divergências políticas com o governo brasileiro. Em coletiva, uma autoridade do órgão afirmou que as conversas com os interlocutores brasileiros foram cordiais.

Segundo o USTR, o foco da medida são práticas comerciais que prejudicam empresas americanas. O órgão citou como pontos de atrito o desmatamento ilegal na Amazônia, que afetaria a competitividade da indústria madeireira dos EUA, e a proteção à propriedade intelectual, lembrando que o Brasil está na "Watch List" de monitoramento de patentes desde 2007.

Outras críticas incluem o tratamento tarifário dado pelo Brasil a países como México e Índia, além de dificuldades de acesso ao mercado de etanol e regras aplicadas ao sistema de pagamentos Pix. Sobre o Pix, o USTR afirmou que deseja que empresas americanas do setor financeiro concorram em igualdade, criticando o papel do Banco Central como regulador e operador.

Quais produtos serão afetados pela medida?

A nova tarifa de 25% incidirá sobre uma série de produtos brasileiros, mas o governo americano confirmou que uma lista de itens importantes para a pauta exportadora do país ficará isenta. Entre os produtos que não sofrerão a sobretaxa estão o petróleo, o café, a carne bovina, a celulose e as aeronaves.

O representante do USTR sinalizou que, embora Washington esteja aberto ao diálogo, eventuais medidas de retaliação por parte do governo brasileiro podem provocar novas respostas por parte dos Estados Unidos. O órgão afirmou que o objetivo é resolver questões como o acesso ao mercado de etanol e a proteção de direitos autorais e marcas.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.