EUA podem aplicar sobretaxa de 12,5% em produtos brasileiros por trabalho forçado
Representante comercial dos EUA indica que medida deve atingir 60 países e pode ser anunciada ainda esta semana.
Por Davy Albuquerque
O governo dos Estados Unidos deve anunciar em breve uma nova decisão tarifária que pode atingir o Brasil e outros 60 países. A medida está relacionada ao uso de trabalho forçado nas cadeias de produção de diversos setores econômicos.
A declaração foi feita pelo representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, em entrevista à CNBC nesta terça-feira (21). Segundo o representante, a decisão sobre as sobretaxas deve ser anunciada de forma iminente.
A medida reforça a expectativa de que Washington confirme novos impostos sobre exportações ainda nesta semana. Entre os possíveis alvos, há a projeção de que o Brasil sofra uma tarifa adicional de 12,5% sobre seus produtos.
Essa alíquota para o mercado brasileiro seria aplicada de forma cumulativa às taxas que já foram anunciadas anteriormente. A expectativa de autoridades e do setor produtivo é que o governo americano conclua a investigação sobre o trabalho forçado nesta sexta-feira (24).
Além do foco no trabalho forçado, o governo americano busca resultados que favoreçam as empresas dos Estados Unidos. Greer afirmou que as negociações comerciais com o Canadá seguem em curso, mesmo após o anúncio de tarifas de 50% nesta segunda-feira (20).
O representante comercial também defendeu o fortalecimento do conteúdo regional no Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA). O objetivo é ampliar a participação de componentes produzidos na América do Norte e incentivar a fabricação de automóveis na região.
Na área de tecnologia, o governo dos Estados Unidos monitora o desenvolvimento de modelos de inteligência artificial (IA) por empresas chinesas. Para o governo, a destilação desses modelos pode configurar roubo de propriedade intelectual americana.
Diversas agências americanas já analisam o tema para verificar possíveis irregularidades. Caso o uso indevido de propriedade intelectual seja comprovado, há a possibilidade de aplicação de novas sanções contra o setor tecnológico da China.
