Fintech investigada por movimentar R$ 1 bilhão teria omitido alertas de apostas ilegais
Instituição sediada em São Paulo teria deixado de comunicar movimentações suspeitas de empresas ligadas a apostas clandestinas à fiscalização.
Por Redação Diário Local
A fintech A55 Sociedade de Crédito Direto é investigada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) por suspeita de movimentar cerca de R$ 1 bilhão em um esquema de apostas ilegais. A instituição teria deixado de comunicar às autoridades fiscalizadoras movimentações financeiras suspeitas realizadas por empresas ligadas a plataformas de apostas clandestinas.
De acordo com a corporação, embora a empresa tenha autorização do Banco Central (BC) para funcionar, ela teria descumprido obrigações legais de monitoramento. A PCDF aponta que, apesar do grande volume financeiro, a fintech realizou apenas uma comunicação de operação suspeita, no final de outubro.
Como funcionava o esquema de movimentação
A fintech, sediada na região da Faria Lima, em São Paulo, teria sido utilizada como estrutura para receber, movimentar e ocultar recursos vindos de apostas ilegais. Segundo a Polícia Civil, aproximadamente R$ 739 milhões movimentados pelas plataformas investigadas foram destinados à estrutura financeira da A55.
As investigações revelaram que os apostadores realizavam pagamentos via Pix, utilizando códigos QR Code vinculados às plataformas. Em diversos casos, os policiais identificaram o mesmo CNPJ como responsável pelo processamento das transações.
A delegada Agatha Natacha Santos, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), explicou que a empresa entrou no foco da investigação ao se identificar que a maior parte do capital que girava na instituição vinha dessas apostas ilegais. A delegada destacou que movimentações milionárias em pequenos períodos deveriam ter gerado alertas no setor de compliance da empresa.
A Operação Azzardo e bloqueios judiciais
A investigação integra a Operação Azzardo, deflagrada nesta quinta-feira (5). A ação mobilizou cerca de 200 policiais civis para o cumprimento de 50 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e nos estados de São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte.
O Juízo das Garantias de Sobradinho determinou o bloqueio de até R$ 3,483 bilhões em patrimônio e valores dos investigados. A decisão também incluiu a suspensão de registros de 100 empresas e o afastamento do sigilo bancário e fiscal de 82 pessoas físicas e 83 pessoas jurídicas.
De acordo com o investigador Paulo Francisco Soares Pereira, a estrutura utilizava empresas de fachada e pessoas recrutadas para ocultar os responsáveis pelas movimentações. Em certas situações, foram identificados 10 CNPJs operando no mesmo endereço, todos vinculados à exploração ilegal.
