Juros servem para reequilibrar oferta e demanda e não para estimular crescimento, diz Galípolo
O presidente do Banco Central explicou que as taxas elevadas em patamar contracionista buscam controlar a inflação causada pelo excesso de demanda.
Por Redação Diário Local
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou que a função das taxas de juros não é impulsionar o crescimento econômico, mas sim reequilibrar a relação entre a oferta e a demanda em um patamar contracionista. A explicação foi dada durante palestra promovida pelo Banco Santander nesta segunda-feira (17), em São Paulo.
Segundo o dirigente, o avanço da economia brasileira tem ocorrido por meio de um desequilíbrio, no qual a demanda de consumo apresenta um nível superior à capacidade de oferta. Esse cenário, pontuou Galípolo, acaba se revelando como um processo inflacionário para o país.
Dessa forma, a tarefa das taxas elevadas de juros seria atuar justamente para restabelecer o equilíbrio entre essas duas forças econômicas. O objetivo da política monetária, neste contexto, é o controle da inflação e não o estímulo direto à expansão do Produto Interno Bruto (PIB).
Galípolo destacou que o país apresenta um ciclo de crescimento há alguns anos, mas esse movimento tem sido puxado predominantemente pela demanda. O descompasso entre o que é consumido e o que é produzido gera a pressão nos preços que o Banco Central busca conter.
Ao manter os juros em um nível contracionista, o BC busca desestimular o excesso de demanda para que ela se alinhe à oferta disponível. O presidente do BC reforçou que o papel da autarquia é garantir esse ajuste estrutural na economia.
Sobre o cenário atual, o presidente da autoridade monetária observou que a manutenção de juros altos no Brasil possui causas predominantemente internas. Para Galípolo, os fatores domésticos têm maior peso no cenário nacional do que as tendências ou temas globais.
A análise reforça a postura de cautela na condução da política monetária frente aos indicadores de consumo. O ajuste entre oferta e demanda é apresentado como o mecanismo necessário para estabilizar a trajetória inflacionária brasileira.
As declarações foram feitas no âmbito de um evento corporativo na capital paulista, onde o presidente do BC detalhou a lógica por trás das decisões de política monetária para o equilíbrio de mercado.
