Gargalo nos acessos portuários eleva custos e afeta competitividade do agronegócio
Filas de caminhões em terminais do Arco Norte geram aumento de fretes e taxas extras, como demurrage, impactando o setor.
Por Redação Diário Local
Filas de caminhões para acessar terminais portuários, como o de Miritituba (PA), têm gerado aumento de custos e incertezas no escoamento da produção do agronegócio. O gargalo logístico impacta desde o valor do frete rodoviário até as operações marítimas, elevando a pressão sobre o preço final das cargas.
O congestionamento ocorre quando o volume de veículos supera a capacidade de recebimento dos terminais e dos pontos de controle. Durante o pico da safra, fatores como chuvas, baixa trafegabilidade das vias, acidentes e fiscalizações podem interromper o fluxo, criando um efeito dominó que acumula veículos nos acostamentos e vias locais.
Como os atrasos impactam os custos?
O problema de logística pode gerar despesas que transcendem o transporte por estradas. Jesualdo Silva, diretor-presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), afirma que a taxa de demurrage — cobrada por proprietários de navios ou contêineres quando há atraso na retirada ou devolução de equipamentos — custa aproximadamente US$ 40 mil por dia.
De acordo com a ABTP, esse valor é repassado para a carga, o que acaba pressionando as margens de lucro. Segundo o diretor-presidente, os custos com caminhões, fretes, operações portuárias e dragagem são integralmente absorvidos pelo setor que transporta a mercadoria.
Quais são os desafios de infraestrutura?
Para a Confederação Nacional do Transporte (CNT), os congestionamentos não são eventos isolados, mas um desafio recorrente que demanda planejamento de longo prazo. Vander Costa, presidente da CNT, defende que a solução passa pela integração efetiva entre os modais de transporte, conectando rodovias, ferrovias e hidrovias de forma complementar.
A entidade sugere a implantação de pátios de triagem, condomínios logísticos próximos aos terminais e sistemas de agendamento de cargas para reduzir as filas. Além disso, a CNT ressalta a urgência de um plano para as hidrovias, com foco em manutenção e novos mecanismos de financiamento.
A situação das estradas também é um ponto crítico. A Pesquisa CNT de Rodovias 2025 mostra que, na região Norte, 81,3% dos 13,9 mil km avaliados foram classificados como regulares, ruins ou péssimos. A condição dos pavimentos e da sinalização afeta o desempenho dos corredores que ligam a produção aos portos do Arco Norte.
O que dizem os produtores?
Lucas Beber, presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja-MT), reforça que o escoamento é um dos principais entraves para a competitividade do setor. Ele afirma que, apesar de os candidatos à disputa presidencial de 2026 reconhecerem a importância do tema, ainda não foram apresentadas propostas detalhadas para enfrentar os gargalos logísticos.
