Governo inicia reuniões com setores afetados por nova tarifa de 25% dos EUA nesta terça-feira (21)
Encontros liderados pelo MDIC buscam identificar demandas de segmentos atingidos pela taxa de 25% sobre produtos brasileiros.
Por Davy Albuquerque
O governo federal deve iniciar nesta terça-feira (21) uma série de reuniões com representantes dos setores que podem ser impactados pela tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O objetivo é identificar as principais demandas de cada segmento e definir medidas de apoio.
A coordenação dos encontros ficará a cargo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O vice-presidente, Geraldo Alckmin, e Dario Durigan devem participar das reuniões para tratar do tema.
O Plano Brasil Soberano, criado no ano passado em resposta às primeiras tarifas impostas pelos Estados Unidos, será ampliado para atender os setores atingidos pela nova medida.
O que diz o governo sobre a proteção da economia
Dario Durigan afirmou que o governo já dispõe de instrumentos para proteger empresas e empregos diante dos impactos da nova taxa. Segundo ele, os mecanismos de proteção já estão prontos e serão reforçados por meio do diálogo com os setores afetados, com coordenação do ministro Márcio Elias Rosa.
Apesar dos impactos esperados em alguns segmentos da economia, Durigan avaliou que a decisão do governo de Donald Trump não deve comprometer a atividade econômica do país como um todo. O governo calcula que 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos serão afetadas pelo novo imposto.
A tarifa de 25% foi confirmada pelos Estados Unidos após uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). A medida foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo utilizado para apurar práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano.
O contexto das negociações entre Brasil e EUA
A tarifa de 25% começa a ser aplicada nesta quarta-feira (22). Em nota, o governo brasileiro classificou a decisão como um "marco lastimável" na relação bilateral e afirmou que poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica.
Segundo negociadores brasileiros, as conversas com o governo americano apresentaram avanços no ano passado, mas tornaram-se difíceis a partir de meados de maio e junho. Representantes da Casa Branca teriam apresentado questões consideradas "inegociáveis", como mudanças no PIX e na legislação sobre minerais críticos.
O vice-presidente, Geraldo Alckmin, pontuou que a tarifa média aplicada aos principais produtos com origem americana é de 3%. Diante do novo cenário, Alckmin afirmou que a medida imposta pelos Estados Unidos não faz sentido.
