Diário Local
Energia

Pó de granito do Espírito Santo é usado para gerar energia na Faixa de Gaza

Resíduo do corte de pedras pretas é transformado em bateria que armazena calor para gerar eletricidade no território palestino.

Por Redação Diário Local

O resíduo do corte e polimento do granito preto, extraído no Noroeste do Espírito Santo, está sendo utilizado na fabricação de baterias térmicas para auxiliar no fornecimento de energia na Faixa de Gaza. O material, que antes era descartado pelas empresas de beneficiamento de rochas, é transformado em pastilhas para compor o sistema de armazenamento de calor.

A tecnologia é aplicada em baterias como a bGen Zero, desenvolvidas pela empresa BrenX. O sistema recebe energia e armazena calor que pode atingir 915°C, com uma perda térmica inferior a 1% em um intervalo de 24 horas. Esse calor acumulado pode ser convertido em vapor para movimentar turbinas e gerar eletricidade ou ser aproveitado em processos industriais.

Segundo Carlos Sena, vice-presidente do Centro Capixaba de Desenvolvimento Metalmecânico (CDMEC), uma usina solar de 30 megawatts utiliza essa tecnologia para ajudar no abastecimento energético da região de Gaza, território palestino que enfrenta graves problemas de infraestrutura devido a conflitos.

Como funciona a bateria de pedra?

O processo de fabricação utiliza o pó resultante do beneficiamento de rochas, como os granitos pretos São Gabriel e São Benedito, encontrados em municípios como São Gabriel da Palha, Nova Venécia, Barra de São Francisco e Ecoporanga. O material é reconstituído em pastilhas e colocado dentro de contêineres equipados com tubulações.

Essas tubulações permitem diferentes formas de alimentação. Em alguns sistemas, varetas de cobre são usadas para alimentar a bateria com energia elétrica e armazenar o calor; em outros, as tubulações permitem a passagem de fluidos térmicos ou vapor.

A tecnologia foi criada por Avi Brenmiller, da empresa BrenX, e visa criar sistemas que suportem altas temperaturas, inclusive em ambientes desérticos. Além de Gaza, a solução é utilizada em hospitais, usinas e indústrias em países como Itália, Hungria e Estados Unidos.

Impacto no Brasil e na indústria

No cenário nacional, a tecnologia já é aplicada em uma fábrica em Chapecó (SC). De acordo com o CDMEC, a substituição de caldeiras tradicionais por esse sistema de armazenamento térmico resultou em uma economia de 90% no consumo de combustível (cavaco de madeira), reduzindo a necessidade de 300 carretas semanais para apenas 30.

Para o setor de rochas, o uso do pó de granito resolve um problema de destinação de resíduos. Marcos Oliveira, gerente da Comil Cotaxé Mineração, afirmou que o projeto cria uma alternativa de renda e dá um novo destino ao material que era considerado um passivo da indústria.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.