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Tecnologia

Inteligência Artificial dificulta entrada de jovens no mercado de trabalho, diz OCDE

Relatório da OCDE aponta que avanços da IA generativa alteram o perfil das vagas e as competências exigidas pelas empresas.

Por Davy Albuquerque

A inteligência artificial (IA) está dificultando a entrada de jovens no mercado de trabalho ao transformar as competências exigidas pelas empresas e alterar o perfil das vagas de início de carreira, conforme relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Apesar de a tecnologia não ter provocado uma redução generalizada de empregos, o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, afirma que os avanços da IA generativa ajudam a explicar a maior dificuldade de inserção dos jovens. Segundo o órgão, a tecnologia está remodelando o trabalho e exigindo novas habilidades profissionais, o que afeta principalmente quem busca a primeira oportunidade.

O relatório destaca que a demanda por certas funções está mudando, exigindo que os trabalhadores se adaptem a competências técnicas, digitais e analíticas, enquanto a IA assume tarefas repetitivas. O desafio para o futuro é a qualificação constante para acompanhar essa transformação rápida.

Como está o mercado de trabalho global?

A OCDE aponta que a taxa média de desemprego entre seus 38 países membros segue em 4,9%, valor próximo do nível histórico de 4,8%, registrado em junho de 2023. A previsão para o setor é de crescimento: 0,3% para este ano e 0,6% em 2027.

Outro ponto relevante é a resiliência do mercado diante de conflitos externos. Mesmo com a alta nos preços da energia causada pela guerra no Oriente Médio, a criação de empregos permaneceu sólida. As vagas abertas se estabilizaram após a escalada das tensões na região, embora tenham diminuído em relação ao período pós-pandemia.

No entanto, o relatório faz um alerta sobre a remuneração. Em quase um terço dos países da organização, os salários reais continuam abaixo dos registrados há cinco anos, o que indica que a recuperação do poder de compra ainda não atingiu toda a população.

Especialistas pedem regulação para a IA

Um grupo de mais de 200 economistas, pesquisadores e especialistas em inteligência artificial, incluindo 16 vencedores do Prêmio Nobel, divulgou uma carta aberta sobre o tema. O documento pede que governos, empresas e universidades aprofundem os estudos sobre os impactos da tecnologia e criem mecanismos para que seu desenvolvimento beneficie a sociedade.

Os signatários da carta, organizada pelos economistas Erik Brynjolfsson, Ajay Agrawal, Anton Korinek e Tom Cunningham, alertam que a tecnologia pode provocar uma transformação econômica maior do que a Revolução Industrial em um intervalo de tempo muito menor.

O grupo defende a criação de incentivos e salvaguardas para garantir que a inteligência artificial atue como um complemento ao trabalho humano, visando elevar o padrão de vida e a produtividade, mitigando o risco de deslocamento de empregos em larga escala.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.