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Economia

Ibovespa registra 5ª maior queda semanal desde o Plano Real após reeleição de Lula

Principal índice da B3 perdeu 18,12% na semana após o resultado das urnas; dólar acumulou alta de 9,03%

Por Redação Diário Local

O Ibovespa, principal índice da B3, registrou queda de 18,12% na primeira semana após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O desempenho representa a 5ª maior desvalorização semanal desde o início do Plano Real, em julho de 1994, de acordo com levantamento da consultoria Elos Ayta.

No mesmo período, o dólar comercial acumulou alta de 9,03%. Nesta sexta-feira (30), o Ibovespa encerrou as negociações aos 167.921,80 pontos, com perda de 0,75% em relação ao pregão anterior. O dólar comercial fechou cotado a R$ 5,444, após subir 1,05% no dia.

Em comparação à última sexta-feira (23), último dia de negociação antes do segundo turno das eleições, a Bolsa perdeu 37.160,76 pontos. No mesmo intervalo, o dólar subiu de R$ 4,9931 para R$ 5,444.

Como foi a reação do mercado?

A queda mais acentuada aconteceu na segunda-feira (26), primeiro pregão após o anúncio da vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro. Naquele dia, o Ibovespa recuou 13,88%, enquanto o dólar avançou 8,21%.

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a reação do mercado foi uma correção de posições, uma vez que os investidores haviam precificado uma vitória de Flávio Bolsonaro. O resultado das urnas provocou, portanto, uma mudança nas apostas do mercado financeiro.

A análise da Elos Ayta indica que a reeleição contrariou as expectativas de parte dos investidores sobre a condução da política econômica, o que elevou a percepção de risco fiscal e gerou a correção das ações.

Quais os riscos para o PIB e a inflação?

Especialistas alertam que a deterioração das condições financeiras pode afetar a economia real caso os juros e o câmbio permaneçam nos patamares atuais. O cenário é sensível para 2027, ano em que o crescimento do PIB, antes projetado em 1,31% pelo Boletim Focus, pode ser impactado.

André Matos, CEO da MA7 Capital, estima que o investimento produtivo pode crescer apenas entre 0% e 1% em 2027, ou até recuar, caso a incerteza persista. Além disso, uma desvalorização constante do real pode elevar o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de 2027 entre 0,4 e 0,8 ponto percentual.

Outra estimativa, de André Luiz Haas Caruso, CEO da Pilar Capital, aponta que a situação financeira atual pode retirar de 0,3 a 0,6 ponto percentual do crescimento do PIB. Para Caruso, a inflação acumulada até 2028 também pode ter um acréscimo de 0,3 a 0,7 ponto percentual em um cenário de dólar depreciado.

O que é necessário para o ajuste fiscal?

A recuperação da confiança do mercado depende de medidas para estabilizar a dívida pública e garantir uma trajetória sustentável para as contas governamentais. Juros elevados encarecem o financiamento do Tesouro Nacional e das empresas, além de restringirem o consumo.

Representantes do mercado defendem ações como a revisão de despesas obrigatórias e a redução de benefícios tributários. André Matos considera necessária uma melhora no resultado primário de 0,5 ponto percentual do PIB por ano, enquanto André Luiz Haas Caruso defende um ajuste de 1 a 1,5 ponto percentual do PIB em um período de dois a três anos.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.