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Agronegócio

Inadimplência no setor rural chega a 8,8% no primeiro trimestre de 2026

O índice de dívidas vencidas entre produtores rurais subiu 1,2 ponto percentual em comparação ao mesmo período do ano anterior, indica Serasa Experian.

Por Davy Albuquerque

A inadimplência da população rural brasileira atingiu 8,8% no primeiro trimestre de 2026, de acordo com dados da Serasa Experian divulgados nesta terça-feira (14). O índice representa um crescimento de 1,2 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025 e um avanço de 0,6 ponto percentual na comparação com o trimestre anterior.

O resultado sinaliza que produtores rurais enfrentam dificuldades financeiras, o que pode restringir o acesso ao crédito para investimentos e custeio no agronegócio. O cenário ocorre em meio a discussões entre o governo e a Frente Parlamentar do Agronegócio (FPA) sobre a renegociação de dívidas rurais.

A metodologia do levantamento considera dívidas de pessoas físicas da população rural vencidas há mais de 180 dias e contraídas junto a empresas do setor. O estudo abrange 10,7 milhões de produtores identificados por operações de crédito e cadastros públicos.

Quais os motivos para o aumento?

Segundo Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, a alta gradual do indicador mostra que os produtores ainda enfrentam desafios para recuperar a capacidade financeira no início de 2026. O executivo pontuou que a pressão no fluxo de caixa e na capacidade de pagamento é causada por custos elevados, oscilações nos preços das commodities e pela restrição ao crédito.

A deterioração do cenário também é refletida no Agro Score, ferramenta de análise de risco da companhia. A pontuação média dos produtores caiu de 606 para 591 pontos entre o primeiro trimestre de 2025 e o mesmo período de 2026.

Inadimplência por perfil e região

Os produtores sem informação de registro rural registraram a maior taxa de inadimplência, de 11%. Na sequência, figuram os grandes proprietários rurais (9,9%), os médios produtores (8,6%) e os pequenos produtores (8,3%).

Quanto à idade, os índices mais altos concentram-se entre produtores de 30 a 39 anos, seguidos pelas faixas de 18 a 29 anos e 40 a 49 anos. A partir dos 50 anos, os percentuais diminuem gradualmente.

No recorte regional, a região Norte apresentou a maior taxa, com 13,2%. O Nordeste registrou 10,2% e o Centro-Oeste 10,1%. O Sudeste teve índice de 7,3%, enquanto o Sul apresentou o menor percentual do país, de 6,2%.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.