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Economia

Petróleo, tarifas dos EUA e gastos com IA reacendem receio de inflação global

Preço do barril acima de US$ 100, ofensiva tarifária de Donald Trump e investimentos em IA pressionam preços e decisões de bancos centrais.

Por Redação Diário Local

O temor de uma aceleração da inflação global voltou a ganhar força devido a três fatores principais: o preço do petróleo acima de US$ 100 por barril, a nova ofensiva de tarifas comerciais dos Estados Unidos e o aumento dos investimentos em inteligência artificial (IA).

A combinação desses elementos ocorre em um momento de vulnerabilidade para a economia mundial, justamente quando as autoridades monetárias começavam a vislumbrar um alívio nas perspectivas de preços. Com o cenário de deterioração, bancos centrais como o Federal Reserve (Fed) e o Banco da Inglaterra terão que avaliar novos riscos nas reuniões previstas para a próxima semana.

No mercado financeiro, o receio de que os preços ao consumidor saiam do controle já é refletido na disparada dos rendimentos dos títulos públicos globais e na trajetória de queda do S&P 500, principal índice da bolsa de valores dos Estados Unidos.

Por que o petróleo impacta a inflação?

O aumento nos custos de energia foi impulsionado pela ampliação do conflito no Oriente Médio, que atingiu o Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho. Na quinta-feira (24), o petróleo superou os US$ 100 por barril pela primeira vez em dois meses, acompanhado pela alta nos preços do gás.

O risco central é que choques de oferta na energia tenham efeitos quase imediatos sobre os consumidores. A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, alertou na quinta-feira (24) que, quanto mais tempo os preços da energia permanecerem elevados, maior a chance de uma inflação mais disseminada entre os preços gerais.

O BCE demonstrou estar preparado para elevar as taxas de juros em setembro caso as perspectivas inflacionárias não apresentem melhora. No Reino Unido, os rendimentos dos títulos públicos (gilts) registraram a sequência mais longa de fechamentos diários acima de 5% em quase duas décadas.

Tarifas e investimentos em tecnologia

Além da energia, o governo liderado por Donald Trump apresentou planos para cobrar alíquotas entre 10% e 12,5% sobre importações da maioria dos parceiros comerciais. O movimento visa reconstruir barreiras tarifárias que haviam sido removidas pela Suprema Corte.

No setor de tecnologia, o alto volume de capital destinado à inteligência artificial também é visto como um fator de pressão. A Alphabet elevou sua projeção de investimentos para até US$ 205 bilhões ainda este ano, evidenciando a magnitude do setor.

O estrategista-chefe de câmbio e mercados emergentes do Goldman Sachs, Kamakshya Trivedi, destacou que o impulso inflacionário vindo do setor de energia e o investimento em capital para IA são fatores cruciais para acompanhar no longo prazo.

Próximas decisões dos bancos centrais

As próximas semanas serão decisivas para o tom das políticas monetárias. O Fed divulgará sua decisão na quarta-feira (30), seguida pelas reuniões do Banco da Inglaterra e do Banco do Japão nos dias subsequentes.

No Japão, dados de sexta-feira (25) mostraram que a inflação acelerou pela primeira vez em três meses, o que mantém as autoridades abertas à possibilidade de acelerar o ritmo de alta dos juros. Nos Estados Unidos, apesar da volatilidade, economistas ainda mantêm a expectativa de um corte de juros pelo Fed, embora o mercado já precifique uma possível alta de juros para setembro.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.