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Economia

IPCA acumula 4,58% em 12 meses e pressiona decisão sobre juros

Índice de inflação superou o teto de 4,5% em setembro, impulsionado pela alta de energia elétrica, combustíveis e serviços.

Por Redação Diário Local

A inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,58% em setembro, índice que supera o teto de 4,5% estabelecido pela meta do Banco Central. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,82% no mês, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (9).

O resultado ocorre após o índice registrar uma deflação de 0,32% em agosto. A elevação de preços em setores como energia elétrica, combustíveis e serviços é apontada como um fator que torna o cenário menos favorável para a redução dos juros.

O que pressionou a inflação em setembro?

O grupo Habitação registrou alta de 2,31%, respondendo por 0,35 ponto percentual do IPCA. Dentro deste grupo, a energia elétrica residencial avançou 7,98%, com impacto de 0,32 ponto percentual no índice geral. A alta foi influenciada, principalmente, pelo fim do efeito do Bônus de Itaipu, que havia reduzido as contas de luz em agosto.

O setor de Transportes também contribuiu para o índice, com alta de 0,89%. Em setembro, a gasolina subiu 1,21%, o diesel avançou 1,69% e as passagens aéreas apresentaram alta de 9,66%.

Economistas avaliam que a inflação apresenta características disseminadas. A alta simultânea em todos os nove grupos pesquisados pelo IBGE sugere que o processo de desinflação perdeu força no terceiro trimestre de 2026.

Impacto do câmbio e do petróleo

A valorização do real pode auxiliar no controle de preços de produtos e insumos importados, reduzindo custos de alimentos e bens industriais. No entanto, especialistas alertam que o alívio cambial não anula os riscos causados pelo preço do petróleo e pela inflação persistente em áreas ligadas à demanda doméstica.

A trajetória dos combustíveis é um dos pontos de atenção para as próximas decisões do Banco Central. A alta das commodities pode encarecer o transporte e, consequentemente, o custo de outros produtos, especialmente alimentos.

Perspectivas para os juros

A resistência dos preços de serviços também limita o espaço para a flexibilização monetária. A média dos núcleos de inflação acelerou de 0,23% para 0,36%, sinalizando que os preços estão mais resistentes à queda.

Fatores como a baixa desocupação e os ganhos salariais reais também são vistos como elementos que sustentam a inflação em serviços que exigem muita mão de obra. Diante desse quadro, o cenário para o quarto trimestre de 2026 é considerado complexo para a trajetória dos preços.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.