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Economia

Alta de juros em países desenvolvidos e gastos públicos dificultam queda da Selic no Brasil

Cenário externo de taxas elevadas e expansão de gastos no Brasil pressionam a inflação e limitam margem para cortes.

Por Redação Diário Local

A alta das taxas de juros em países desenvolvidos e a expansão dos gastos públicos no Brasil criam obstáculos para a redução da taxa Selic. O cenário externo, marcado por juros elevados em grandes economias, e o desequilíbrio das contas domésticas pressionam a inflação e limitam o espaço de manobra do Banco Central.

Na última quinta-feira (5), o Banco da Inglaterra (BoE) elevou sua taxa de juros em 0,25 ponto percentual, levando-a a 4% ao ano. A decisão foi motivada pela escalada de conflitos no Oriente Médio, alta nos preços globais de energia e uma atividade econômica doméstica mais forte que o esperado. O encarecimento do petróleo e do gás natural, impulsionado por guerras, também eleva as pressões inflacionárias globais.

O movimento britânico ocorre em um contexto de taxas também elevadas nos Estados Unidos, na Zona do Euro e no Japão. Quando os juros sobem nessas economias, os investimentos se tornam mais atraentes, o que pode reduzir o fluxo de dólares para países emergentes, como o Brasil. A consequência é a pressão negativa na cotação do real e o encarecimento de produtos importados, elevando o risco para a inflação brasileira.

Por que o cenário externo afeta os juros no Brasil?

A atratividade dos títulos de países desenvolvidos influencia diretamente a capacidade de redução de juros por parte do Banco Central brasileiro. Se os juros nos Estados Unidos sobem, outros países precisam se ajustar para evitar a desvalorização de suas moedas frente ao dólar.

Em economias consideradas de maior risco, como a brasileira, a falta de ajuste ou a redução precoce de juros pode tornar a rentabilidade dos títulos nacionais pouco atrativa em comparação aos ativos norte-americanos. Isso obriga a autoridade monetária a manter ou até elevar as taxas para compensar o risco exigido pelos investidores.

O impacto dos gastos públicos na economia

O cenário externo é agravado pelo ritmo de expansão dos gastos públicos no Brasil. Segundo relatório macroeconômico dos economistas Mansueto Almeida e Samuel Pessôa, do BTG Pactual, os gastos primários do governo federal devem apresentar um crescimento real de 21% no período de 2023 a 2026. Esse número é quase o dobro do crescimento projetado para a economia brasileira, que é de 11% no mesmo intervalo.

A expansão das despesas pode estimular a demanda por produtos e serviços, elevando as pressões inflacionárias. De acordo com o estudo, a dívida bruta do governo geral deve passar de 71,7% do PIB, registrado em dezembro de 2022, para 85,8% em 2027. O desequilíbrio fiscal dificulta o financiamento do país e gera incerteza entre os investidores.

Além das despesas orçamentárias, o BTG Pactual estima que operações e programas parafiscais devem injetar R$ 142 bilhões adicionais na economia em 2026, em comparação ao ano anterior. Esse movimento mantém a demanda aquecida, o que pode exigir que o Banco Central mantenha a Selic — atualmente em 13,75% — em patamares elevados por um período prolongado.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.