Imóveis em Perdizes, Pompeia e Água Branca já registraram alta de até 31% com a chegada da Linha 6-Laranja
Estudo aponta que apartamentos próximos às novas estações já apresentam prêmio de valorização, mas região pode atingir novo platô de preços.
Por Davy Albuquerque
A expansão da Linha 6-Laranja do metrô para os bairros de Perdizes, Pompeia e Água Branca, em São Paulo, já provocou impactos no mercado imobiliário, com valorizações que chegam a 31% nos arredores das novas estações. Segundo o estudo "O valor da proximidade", elaborado pela Real Price, imóveis situados a até 500 metros das estações apresentam um prêmio médio de 10,8% em relação a imóveis equivalentes localizados a mais de 1,5 quilômetro do corredor.
O levantamento, que analisou 1,36 milhão de transações imobiliárias na capital paulista entre 2006 e 2026, indica que a reação do mercado começou antes da inauguração das novas estações. A estabilidade dos preços ao longo do tempo sugere que grande parte do ganho de valorização foi capturada durante o período de construção das obras.
Como foi a valorização por região?
Os maiores avanços registrados ocorreram no trecho mais consolidado da linha. Em Perdizes, o valor médio do metro quadrado transacionado em apartamentos nos arredores da estação subiu de R$ 5.089 para R$ 6.675 entre os períodos de 2019 a 2021 e 2024 a 2026, segundo dados de ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis). A variação foi de 31%.
Na região da estação Sesc Pompeia, o preço do metro quadrado subiu de R$ 5.141 para R$ 6.562 no mesmo intervalo de tempo, representando um aumento de 28%. Já nos arredores da futura estação Água Branca, o valor transacionado passou de R$ 5.069 para R$ 6.316, uma alta de 25%.
Em Perdizes, a valorização também é explicada por mudanças estruturais no bairro, que se tornou atrativo para o público jovem e investidores de locação, impulsionado por equipamentos como o Shopping Bourbon, o Sesc Pompeia e o Nubank Parque (antiga arena do Palmeiras).
O que influencia o preço em Água Branca?
Diferente de Perdizes, a região da estação Água Branca passa por um processo de transformação urbana que vai além da mobilidade. O bairro tem recebido novos empreendimentos residenciais e comerciais em substituição a antigas áreas industriais.
O estudo alerta que não é possível atribuir toda a valorização do corredor exclusivamente ao metrô em áreas como Água Branca e Barra Funda, devido a essas mudanças urbanísticas paralelas. Apesar disso, especialistas veem potencial para novos ciclos de desenvolvimento imobiliário na região.
No caso da Pompeia, a região já possuía demanda residencial consolidada antes da chegada da Linha 6. A chegada do metrô trouxe melhoria na mobilidade, resultando em uma valorização de 28%, a segunda maior entre as seis estações inauguradas neste mês (21).
