Uso de medicamentos para emagrecer reduz gastos com supermercado nos EUA
Estudo indica queda de 5% nos gastos com supermercado após início do uso de GLP-1, com maior procura por proteínas e vegetais.
Por Redação Diário Local
O uso de medicamentos da classe GLP-1 está alterando o perfil de consumo nas prateleiras, provocando uma redução de cerca de 5% nos gastos de famílias americanas com supermercado. De acordo com estudo publicado no Journal of Marketing Research, a queda nos custos é mais acentuada em categorias de produtos como salgadinhos, doces e biscoitos.
A pesquisa aponta que, paralelamente à redução de gastos com itens ultraprocessados, há uma tendência de maior procura por alimentos com densidade nutricional elevada. Esse novo comportamento de consumo inclui a busca por frutas, vegetais e alimentos que ofereçam maior teor de proteínas.
Para a indústria de alimentos, o cenário pode exigir uma transição estratégica de um modelo baseado em volume para um modelo focado em valor. Essa análise é do economista Eduardo Araújo, mestre pela Universidade de Oxford e professor na Fucape, que avalia que o setor pode precisar se adaptar a um consumidor que come de forma diferente.
Segundo Araújo, o cliente pode passar a consumir porções menores, mas demonstrar maior disposição para pagar por produtos com melhor qualidade nutricional, como itens com mais fibras ou proteínas. Nesse sentido, a estratégia de "vender menos, mas melhor" não implicaria necessariamente uma queda no faturamento, mas uma adaptação de preços e porções.
A reorganização do mercado pode ir além do lançamento de versões saudáveis de produtos já existentes. O economista destaca que a mudança mais importante pode ser a reorganização de portfólios inteiros, onde categorias dependentes de consumo por impulso perdem espaço para alimentos associados à nutrição e à conveniência.
Impacto nos investimentos do setor
A escala dessa transformação depende diretamente do crescimento do número de usuários desses medicamentos. Caso o tratamento se torne acessível também para a classe média e o uso seja mantido ao longo do tempo, o fenômeno deixa de ser um nicho e passa a influenciar decisões de investimento e o lançamento de novos produtos.
Se o movimento ganhar escala suficiente, ele pode inclusive direcionar estratégias de aquisições feitas pelas próprias empresas de alimentos. A mudança de hábito passaria a ser um fator determinante para o planejamento de longo prazo das corporações do setor.
Apesar de os sinais de uma transformação estrutural já serem visíveis, a consolidação desse impacto no mercado global ainda depende de um fator fundamental: a democratização do acesso a esses medicamentos. Sem a ampliação do uso, o efeito sobre a indústria pode permanecer restrito a grupos específicos.
