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Economia

Disputa entre herdeiros ameaça império de óculos Ray-Ban e Oakley na Itália

Impasse na holding familiar Delfin gera crise de governança na EssilorLuxottica e impacta ações da companhia

Por Redação Diário Local

Uma disputa entre os herdeiros do fundador da EssilorLuxottica está provocando uma crise de governança na gigante do setor de óculos, controladora de marcas como Ray-Ban e Oakley. O impasse na holding familiar Delfin, principal acionista da fabricante, tem gerado instabilidade e afetado o valor de mercado da companhia, avaliada em cerca de € 75 bilhões.

Leonardo Maria Del Vecchio deixou de forma abrupta os cargos de diretor de estratégia da EssilorLuxottica e de presidente da Ray-Ban. A renúncia aconteceu após o fracasso de uma tentativa de resolver o impasse na Delfin, que reúne oito herdeiros do fundador Leonardo Del Vecchio, falecido em 2022.

A saída de Leonardo Maria ocorre após a renúncia de seu meio-irmão, Rocco Basilico, que atuava como diretor de dispositivos vestíveis e deixou a empresa no início deste ano. Divergências sobre a estrutura e a operação da holding familiar têm criado dificuldades para a gestão da EssilorLuxottica.

O impacto no mercado financeiro

As ações da EssilorLuxottica acumulam uma queda de aproximadamente 40% em 2026, o que posiciona o valor de mercado do grupo em cerca de € 75 bilhões. O estrategista de ações do Banca Finint, Nicolò Nunziata, afirmou que a complexidade da governança na Delfin afetou o desempenho das ações da fabricante.

Para tentar conter a desvalorização e sustentar o valor dos papéis, a EssilorLuxottica anunciou, na última sexta-feira (28), um plano de recompra de até 5 milhões de ações. O montante da operação é avaliado em mais de € 800 milhões, considerando os preços atuais de mercado.

A holding Delfin possui participações relevantes em outras instituições, como o Banca Monte dei Paschi di Siena, a Assicurazioni Generali e o UniCredit. A crise de governança na holding italiana acaba por afetar o setor financeiro do país como um todo.

Conflitos na sucessão familiar

A origem do impasse reside no testamento de Leonardo Del Vecchio, que dividiu a participação na holding entre oito herdeiros, mas não definiu um comando único. A exigência de aprovação quase unânime para decisões importantes tem dificultado a gestão da propriedade e da operação da Delfin.

Em abril, uma proposta de € 10 bilhões para a compra de participações de dois irmãos não prosperou devido a divergências sobre o financiamento e a governança. Diante do impasse, os herdeiros recorreram à Justiça de Luxemburgo, onde a holding está sediada, para buscar uma solução para a transferência de participações.

Apesar das movimentações judiciais, especialistas apontam que o problema de governança na maior acionista da EssilorLuxottica é antigo e ainda não apresenta uma saída clara. O conflito interno ocorre em um momento de pressão competitiva, com a entrada de empresas de tecnologia como Apple, Google e Samsung no mercado de óculos inteligentes.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.