Mercado de capitais brasileiro movimenta R$ 361,8 bilhões no primeiro semestre de 2026
Volume recorde registrado pela Anbima representa alta de 9,8% em relação ao mesmo período do ano passado, apesar de queda na renda fixa
Por Redação Diário Local
O mercado de capitais brasileiro movimentou R$ 361,8 bilhões em ofertas no primeiro semestre de 2026, o maior volume já registrado para o período na série histórica da Anbima. O montante representa uma alta de 9,8% frente aos R$ 329,6 bilhões captados no mesmo período de 2025, segundo dados divulgados pela entidade nesta segunda-feira (27).
Apesar do recorde, houve uma redução de 5,1% na captação líquida da renda fixa, que somou R$ 288,8 bilhões. A participação desse segmento no total captado caiu de 92,4% para 79,8%, a menor desde o primeiro semestre de 2021, embora ainda seja o terceiro melhor semestre da série histórica para o setor.
Por que a renda fixa recuou?
A queda na renda fixa foi atribuída a obstáculos no mercado de crédito no início do ano. As debêntures, por exemplo, registraram captação de R$ 169,8 bilhões, uma retração de 12,1%. O número de operações, entretanto, subiu 3,7%, chegando a 278, o que indica que houve mais emissões, porém de menor porte.
Eventos de crédito no começo do ano provocaram ajustes que levaram companhias a adiar captações em busca de condições de mercado mais favoráveis, como spreads menores. Enquanto isso, empresas menores mantiveram a emissão de papéis de porte reduzido.
Os papéis incentivados e de infraestrutura, que possuem isenção de Imposto de Renda para pessoa física, representaram 38,3% do volume total, totalizando R$ 65 bilhões. O setor de energia elétrica liderou essas captações com R$ 34,4 bilhões, seguido por transporte e logística (R$ 9 bilhões) e saneamento (R$ 6,3 bilhões).
O crescimento dos títulos híbridos e ações
Os títulos híbridos apresentaram forte expansão, captando R$ 47,8 bilhões, o dobro dos R$ 21,5 bilhões registrados no primeiro semestre de 2025. Os fundos imobiliários (FIIs) levantaram R$ 39,5 bilhões, alta de 103,9%, e os Fiagros, voltados ao agronegócio, somaram R$ 8,3 bilhões, um avanço de 288,3%.
No caso dos Fiagros, o movimento reflete a busca de empresas do setor por alternativas ao crédito bancário em um cenário macroeconômico mais desafiador. Houve também uma mudança no perfil dos compradores: a participação de fundos de investimento saltou de R$ 6 bilhões para R$ 18,9 bilhões, passando a responder por 39,6% do total.
As ofertas de ações também registraram salto de 583,9%, atingindo R$ 25,2 bilhões em oito operações. O volume já supera o montante total de 2025, que foi de R$ 15,5 bilhões. O destaque foi o IPO da Compass, do grupo Cosan, que movimentou R$ 3 bilhões ao estrear na B3 em maio.
Securitização e novos instrumentos
No segmento de securitização, os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) captaram R$ 53,1 bilhões, alta de 29,4%. Por outro lado, os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) recuaram 50,4%, totalizando R$ 7,1 bilhões.
A queda nos CRAs é parcialmente explicada pela migração para a Cédula de Produto Rural Financeira (CPR-F), que registrou R$ 11 bilhões em dez operações. O novo instrumento permite que empresas do setor agro acessem investidores institucionais e pessoas físicas sem depender exclusivamente de bancos.
