Morgan Stanley projeta aceleração de cortes na Selic e aumenta aposta em títulos brasileiros
Gestora prevê aceleração de redução de juros pelo Banco Central e eleva posição em papéis de três anos na carteira global.
Por Davy Albuquerque
A gestora Morgan Stanley Investment Management aumentou a posição em títulos públicos brasileiros de três anos em sua carteira global. A decisão baseia-se na projeção de uma aceleração nos cortes de juros pelo Banco Central ainda no segundo semestre deste ano.
A movimentação faz parte de uma estratégia de exposição a títulos em moeda local de mercados emergentes. Segundo relatório trimestral de alocação da casa, a tese de investimento é sustentada pelos juros atuais, acima de 14%, e pela meta de inflação de 3%.
Na avaliação dos estrategistas, o afrouxamento da política monetária deve favorecer o crescimento econômico e auxiliar na melhoria do déficit fiscal. O movimento também deve atrair fluxo de investidores, o que ajudaria a sustentar o real.
A gestora reconhece que o aumento dos preços de energia elevou o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em maio, o que levou o Banco Central a adotar um tom mais rigoroso. No entanto, a instituição classifica essa pressão como algo transitório.
A expectativa para o cenário é que a reversão no preço do petróleo e o avanço da desinflação doméstica devolvam força ao ciclo de flexibilização monetária. Essa tendência é reforçada pelos dados do IPCA de junho, que ficou abaixo da expectativa de 0,31%.
O índice de junho também registrou desaceleração em comparação ao resultado de maio, que havia sido de 0,58%. O acumulado do IPCA em 12 meses recuou para 4,64%, apresentando trajetória de queda, embora o número ainda esteja acima do teto da meta.
No monitoramento das projeções de mercado, o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (13), reduziu a estimativa de inflação para 2026, que passou de 5,30% para 5,16%. Já a projeção para a taxa Selic no fim do ano seguiu em 14%.
Por que a gestora projeta mais cortes de juros?
A tese de investimento considera que o ritmo da atividade econômica já apresenta desaceleração nos últimos meses. A gestora acompanha a utilização da capacidade instalada da economia brasileira, indicador que antecede a inflação núcleo com nove meses de defasagem.
Atualmente, esse indicador aponta para uma desaceleração capaz de puxar os preços para baixo nos próximos meses. Para a gestora, esse movimento de desinflação sustenta a continuidade do ciclo de queda nos juros.
