JPMorgan vê Suzano como principal beneficiada por riscos do El Niño no setor de celulose
Banco avalia que fenômeno climático pode elevar preços da celulose e destaca resiliência logística da companhia brasileira.
Por Davy Albuquerque
O retorno do fenômeno climático El Niño pode elevar os preços globais de celulose ao causar interrupções na oferta e problemas logísticos, segundo análise do JPMorgan. O banco avalia que o evento altera padrões de chuva em regiões produtoras, afetando tanto o crescimento de florestas quanto o transporte entre fábricas e portos.
O cenário climático pode gerar riscos de enchentes no Sul do Brasil e no Chile. Em contrapartida, o Norte e o Nordeste do Brasil, além da Indonésia, podem enfrentar condições mais quentes e secas, aumentando a probabilidade de incêndios florestais.
Após vários trimestres de pressão para baixo nos preços, uma eventual redução na oferta mundial pode reverter essa tendência. Esse movimento de escassez tende a empurrar os valores da celulose para cima no mercado internacional.
Suzano pode ser a principal beneficiária
Dentro da análise do JPMorgan, a Suzano é apontada como a empresa mais protegida e a maior beneficiária em um cenário de preços elevados. A companhia possui diversificação geográfica e ativos de baixo custo.
A resiliência da Suzano também é atribuída à sua rede logística, que conta com múltiplos portos e opções ferroviárias. Embora tenha riscos de secas e incêndios no Maranhão, o banco considera esse cenário mais administrável do que enchentes extremas.
O banco mantém a recomendação de compra para as ações da Suzano, com preço-alvo de R$ 60. A projeção de geração de fluxo de caixa livre para a empresa é de 18,3% em 2027.
Riscos para Klabin e CMPC
A Klabin apresenta uma situação distinta, com operações de celulose e o complexo Monte Alegre situados no Paraná. A região possui alto risco de chuvas intensas, o que pode encharcar o solo e prejudicar a colheita.
Além do impacto na produção, o excesso de chuva pode reduzir a eficiência logística da Klabin. O corredor ferroviário que liga a empresa ao porto de Paranaguá é um dos pontos de atenção.
A chilena CMPC surge como a empresa mais exposta ao risco de enchentes. Além da unidade em Guaíba, no Rio Grande do Sul, a companhia opera no centro-sul do Chile, área sujeita a invernos chuvosos e deslizamentos.
A Copec possui maior proteção por ter ativos distribuídos entre Chile, Argentina e o futuro projeto Sucuriú, no Mato Grosso do Sul. Essa diversidade tende a reduzir a sensibilidade da empresa ao fenômeno.
O impacto do El Niño no setor
O El Niño é o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, com ocorrência a cada dois ou sete anos. A Organização Meteorológica Mundial (WMO) estima 80% de chance de ocorrência do fenômeno entre junho e agosto de 2026.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) indica ainda uma chance de 63% para um "super El Niño". Esse evento mais intenso poderia se intensificar entre o inverno de 2026 e 2027.
No mercado, a logística pode se tornar um gargalo maior que a produção direta. Estradas alagadas e hidrovias interrompidas podem impedir o escoamento da celulose mesmo que as fábricas funcionem normalmente.
A sensibilidade das empresas varia conforme o tipo de fibra. Suzano e CMPC são mais sensíveis a variações de preço na fibra curta, enquanto Klabin e Copec possuem menor exposição devido à diversificação de seus negócios.
