Programa Move Brasil apresenta baixa adesão e dificuldade de financiamento entre entregadores
Apesar de recursos públicos e garantia contra calotes, apenas 17,7 mil profissionais aderiram ao programa desde julho.
Por Redação Diário Local
O programa Move Brasil, destinado ao financiamento de veículos para entregadores e mototaxistas de aplicativo, apresenta um ritmo de crescimento lento e dificuldades de adesão. Apesar da oferta de recursos públicos e da garantia do governo contra calotes, muitos profissionais encontram barreiras para obter o crédito necessário.
De acordo com dados do Fundo Garantidor de Crédito (FGO), desde o início das operações, em 27 de julho, 17,7 mil entregadores contrataram empréstimos por meio da iniciativa. O valor total liberado até o momento é de R$ 384 milhões.
O volume de adesões está abaixo das projeções iniciais. Antes do lançamento da medida, a estimativa era de que o público potencial do programa variasse entre 700 mil e 1,2 milhão de entregadores em todo o Brasil.
Por que o acesso ao crédito é dificultado?
O governo esclarece que o fato de um profissional cumprir os requisitos de elegibilidade não assegura a aprovação automática do financiamento. A concessão do empréstimo depende da análise de risco realizada pelas instituições financeiras que participam do programa.
A negativa de crédito baseada no perfil financeiro tem sido um obstáculo para alguns trabalhadores. Casos de profissionais com restrições de nome (negativação) dificultam a concretização do objetivo de trocar veículos antigos por modelos mais novos, que possuem menor custo de manutenção.
Além disso, o processo de liberação do veículo não é imediato. Trabalhadores que conseguiram concluir a compra relatam que o tempo entre o início dos trâmites na concessionária e a retirada do bem pode levar cerca de um mês e meio.
Quem pode participar do programa?
O Move Brasil é voltado para dois perfis de trabalhadores. O primeiro compreende entregadores ciclistas e motociclistas cadastrados em aplicativos há, no mínimo, seis meses, desde que tenham realizado pelo menos cem corridas no período.
O segundo perfil abrange ciclistas, motofretistas e mototaxistas profissionais que possuam contratos formais de trabalho há, pelo menos, seis meses na mesma empresa.
