Setor de panificação em Minas Gerais tem 30 mil vagas em aberto por falta de mão de obra
Escassez de profissionais como padeiros e confeiteiros força padarias mineiras a recorrerem ao uso de pães congelados.
Por Davy Albuquerque
O setor de panificação em Minas Gerais apresenta um déficit de cerca de 30 mil profissionais, o que tem impactado o atendimento e a produção das empresas no estado. A falta de trabalhadores para funções como padeiro, confeiteiro, ajudante e atendimento ao público compromete investimentos e a produtividade do segmento.
A escassez de mão de obra tem forçado empresários a mudanças no modelo de operação. Para conseguir manter as atividades, muitas padarias estão recorrendo à compra de pães congelados e à terceirização de parte de sua produção.
Por que faltam profissionais no setor?
A dificuldade de contratação é atribuída à competição com o trabalho por aplicativos e ao aumento da informalidade. Segundo a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o trabalhador muitas vezes compara o emprego formal com atividades que oferecem renda imediata, mas que não possuem as mesmas obrigações trabalhistas.
O custo de contratação também é apontado como um entrave. Para o setor, um funcionário com carteira assinada pode custar praticamente o dobro do valor recebido, o que reduz a competitividade e dificulta a abertura de novas vagas.
Como a tecnologia pode ajudar?
Para tentar depender menos da mão de obra direta, muitas empresas buscam investir em automação. No entanto, o setor enfrenta obstáculos como a alta carga tributária sobre equipamentos tecnológicos e os juros elevados para financiamentos.
A falta de condições de crédito adequadas trava a modernização das empresas. O cenário de juros altos e o custo do crédito dificultam que a indústria invista em inovação e na formação de mão de obra mais técnica.
A escassez de mão de obra se estende à indústria?
O problema da falta de profissionais qualificados é observado em outros segmentos industriais de Minas Gerais. Segundo o Senai Minas, a indústria estadual possui mais de 5 mil vagas em aberto em diversos setores, com demanda concentrada em áreas de automação, mecatrônica, eletromecânica e eletrotécnica.
A instituição destaca que a visão de que apenas a graduação leva ao sucesso profissional ainda afasta jovens das carreiras técnicas. No entanto, o Senai Minas registra que 91,2% de seus alunos formados conseguem colocação no mercado de trabalho.
