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Economia

Tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros aumenta incerteza para eleição de 2026, diz analista

Decisão de Donald Trump sobre taxação de produtos brasileiros pode influenciar o tabuleiro eleitoral de outubro, avalia estrategista global.

Por Davy Albuquerque

A decisão do governo de Donald Trump de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros aumenta a complexidade do cenário para a eleição de 2026. Segundo o estrategista global Ruchir Sharma, a medida impacta não apenas o comércio, mas o tabuleiro político que define o futuro do país no próximo mês de outubro.

A taxação incide sobre produtos que somam cerca de US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras. Entretanto, Sharma aponta que, quando consideradas as isenções, o impacto efetivo é mais restrito do que o número sugere. O risco principal, segundo o analista, é de segunda ordem: o efeito sobre o investimento estrangeiro direto e o sinal de uma relação estruturalmente contestada entre os Estados Unidos e o Brasil.

Caso a medida entre em vigor nesta quarta-feira (22), o Brasil passará a ser o segundo país mais taxado pelos Estados Unidos no mundo, ficando atrás apenas da China.

Como a tarifa influencia a corrida presidencial?

Para o estrategista, a decisão de Washington pode alterar as narrativas da disputa eleitoral. A postura de soberania e nacionalismo de Luiz Inácio Lula da Silva pode ganhar força, de forma similar ao ocorrido no México. Contudo, a aprovação do atual governo enfrenta desafios devido ao custo de vida e ao ritmo de crescimento econômico.

Em contrapartida, uma vitória de Flávio Bolsonaro poderia resultar em pressões para que o Brasil faça concessões rápidas em áreas como regulação digital e plataformas de tecnologia para obter a retirada das tarifas. Segundo Sharma, embora a leitura política de curto prazo favoreça Lula, a pressão econômica para negociar com os Estados Unidos será uma realidade para qualquer governante que assumir o país.

O papel dos investidores e o risco fiscal

A perspectiva dos mercados também é um fator determinante. Sharma observa que, historicamente, investidores têm obtido retornos maiores na América Latina sob governos de direita. Em sua análise, nos primeiros dois anos de um governo de direita na região, o retorno em dólares tende a ser de cerca de 37%, enquanto em governos de esquerda o número é de aproximadamente 16%.

No caso de uma reeleição de Lula, o analista projeta que a reação inicial dos investidores tenda a ser negativa, dada a atual atenção global sobre a dívida dos países. Ele ressalta que o Brasil não tem margem para irresponsabilidade fiscal, uma vez que a fuga de capitais seria um risco real caso o país não siga um caminho de sustentabilidade das contas.

O cenário de médio prazo para o Brasil, no entanto, apresenta oportunidades no ciclo de commodities e no setor de petróleo, além de um potencial tecnológico sustentado por investimentos em pesquisa e desenvolvimento, que representam cerca de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.