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Eleitores preferem Brasil com relações comerciais mais próximas da China do que dos EUA, diz pesquisa

Levantamento da PoderData aponta que 52% dos entrevistados defendem maior aproximação comercial com o mercado chinês.

Por Redação Diário Local

Cerca de 52% dos eleitores brasileiros acreditam que o país deve estreitar as relações comerciais com a China em vez de buscar uma maior aproximação com os Estados Unidos. O levantamento foi realizado pela PoderData entre os dias 18 (sexta-feira) e 20 (domingo) de julho de 2026.

O índice representa uma inversão no posicionamento da população em relação ao mesmo período do ano anterior. Em 2025, a maioria dos entrevistados, 59%, afirmava que era melhor o Brasil manter relações comerciais com os EUA, enquanto 32% preferiam a China.

A pesquisa ouviu 2.500 pessoas em 147 municípios das 27 unidades da Federação. O levantamento possui margem de erro de 2 pontos percentuais e um intervalo de confiança de 95%.

A mudança na percepção ocorre em um contexto de instabilidade diplomática entre Brasília e Washington. O governo de Donald Trump tem aplicado medidas de taxação sobre produtos brasileiros, com a confirmação de novas tarifas em 15 de julho.

Na última quinta-feira (23), o representante comercial dos EUA, Jamison Greer, anunciou uma sobretaxa adicional de 12,5% sobre bens brasileiros. A justificativa apresentada pelo governo norte-americano refere-se a alegações de trabalho escravo na produção de itens enviados ao país.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu ao cenário intensificando críticas ao governo dos Estados Unidos. O presidente brasileiro tem reforçado o discurso de defesa da soberania nacional diante das pressões comerciais.

Por que a percepção mudou?

A deterioração da imagem dos Estados Unidos entre os eleitores brasileiros foi sinalizada em dados anteriores. Em levantamento realizado entre 12 e 15 de julho, 42% dos entrevistados afirmaram que um apoio de Donald Trump a candidatos brasileiros teria impacto negativo nas campanhas.

O cenário atual reflete divergências político-ideológicas entre os dois governos. As tensões comerciais ganharam força após o governo dos EUA propor, em 1º de junho, uma tarifa de 25% sobre uma lista de produtos importados do Brasil.

A justificativa norte-americana para a taxação envolve a alegação de práticas consideradas desleais e prejudiciais para empresas locais. Anteriormente, em 2025, uma tarifa de 50% já havia sido imposta sobre exportações brasileiras sob justificativa de tratamento dado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Qual o impacto no comércio exterior?

O aumento das barreiras comerciais com os EUA tem impulsionado a conexão com o mercado asiático. Em 2025, o crescimento das exportações brasileiras para a China conseguiu neutralizar a retração causada pelas tarifas norte-americanas.

Entre os meses de agosto e novembro de 2025, o valor embarcado para a China cresceu 28,6% em relação ao mesmo período de 2024. Enquanto isso, as exportações destinadas aos Estados Unidos sofreram uma queda de 25,1% no mesmo intervalo.

A tendência de crescimento para o mercado chinês deve se repetir com a nova onda de tarifas impostas por Washington. O governo brasileiro tem mantido relações diplomáticas frequentes com o país asiático para fortalecer esse eixo comercial.

Desde que assumiu o mandato, em janeiro de 2023, o presidente Lula realizou duas viagens oficiais à China. O movimento estratégico busca consolidar a segurança das exportações brasileiras diante das oscilações do comércio com os Estados Unidos.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.