Petróleo fecha em queda apesar de tensões no Oriente Médio
Preços do barril WTI e Brent registraram baixa nesta quinta-feira (16) mesmo com ameaças de bloqueio em rotas de transporte.
Por Davy Albuquerque
Os preços do petróleo fecharam em queda nesta quinta-feira (16), operando com volatilidade enquanto o mercado processa novos riscos geopolíticos no Oriente Médio. O petróleo WTI para agosto encerrou com recuo de 0,82% (US$ 0,65), cotado a US$ 78,95 o barril, no mercado da New York Mercantile Exchange (Nymex).
O petróleo Brent para setembro, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), também registrou baixa de 0,85% (US$ 0,72), fechando a US$ 84,23 o barril. O movimento ocorre em um cenário de incertezas sobre o fornecimento global de energia.
A instabilidade é alimentada por tensões entre o Irã e os Estados Unidos. O governo iraniano solicitou que os houthis, grupo no Iêmen, preparem-se para fechar a rota de transporte de petróleo no Mar Vermelho caso ocorram ataques norte-americanos contra a infraestrutura energética do Irã.
Há o risco de um bloqueio conjunto no estreito de Bab el-Mandeb envolvendo os houthis e o grupo militante somali al-Shabab. Em paralelo, o grupo houthi ameaçou atacar instalações petrolíferas da Arábia Saudita caso o país participe de novas ofensivas militares em larga escala.
No Estreito de Ormuz, a situação também apresenta riscos para a navegação. O Exército iraniano mantém a reivindicação de controle sobre a rota e afirma que ela permanecerá fechada enquanto Washington não aceitar o sistema jurídico de Teerã.
Para analistas, a recente oscilação nos preços demonstra que o mercado pode estar subestimando a fragilidade do cenário atual. A estrategista-chefe de commodities da BCA Research, Roukaya Ibrahim, afirma que os preços podem carregar um prêmio de risco geopolítico nas próximas semanas ou meses.
Ibrahim pontua ainda que, mesmo que as tensões diminuam e o fornecimento seja estabilizado, os fundamentos de mercado devem manter o Brent acima de um piso de US$ 70 por barril. A previsão sugere uma resistência natural para a queda dos valores.
O cenário de alerta é reforçado por projeções extremas em caso de novos bloqueios. Segundo a Capital Economics, se o Estreito de Ormuz permanecer fechado por um período prolongado, os preços do petróleo podem atingir um ponto de inflexão e subir para US$ 120 por barril ou mais.
