WEG deve divulgar resultados do 2T26 sob expectativa de números fracos e pressão cambial
Analistas projetam receitas estagnadas e impacto cambial para a companhia, apesar de sinais positivos no setor de infraestrutura global.
Por Davy Albuquerque
A WEG deve divulgar os resultados referentes ao segundo trimestre de 2026 (2T26) na próxima quarta-feira (22), sob um cenário de expectativas moderadas por parte do mercado financeiro. Analistas projetam que o balanço da companhia possa apresentar números fracos, influenciados pela pressão cambial e pela demanda doméstica.
Relatórios do JPMorgan e do Citi indicam que a empresa pode enfrentar receitas estagnadas. Entre os principais obstáculos citados pelos bancos de investimento estão o fortalecimento do real frente ao dólar e a baixa procura interna, fatores que devem pressionar o faturamento e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).
Por que há ceticismo sobre os resultados?
O ceticismo do mercado é impulsionado, principalmente, por fatores macroeconômicos. Segundo o JPMorgan, o patamar médio do câmbio no período, próximo de R$ 5,05, pode reduzir o faturamento e o Ebitda em uma faixa de 3% a 5% em relação às estimativas da instituição.
O banco também alerta para o risco de compressão das margens de rentabilidade. O Citi, por sua vez, projeta números mais conservadores, com faturamento de R$ 9,99 bilhões e Ebitda de R$ 2,1 bilhões. A instituição explica que os altos investimentos para expandir a produção de transformadores de transmissão e distribuição (T&D) estão elevando os custos de mão de obra.
De acordo com o Citi, a WEG concluiu cerca de 10% do plano de duplicar sua capacidade de transformadores até 2027, e o impacto positivo dessa expansão nos resultados deve ocorrer apenas no segundo semestre de 2027.
Quais são os sinais positivos do setor?
Apesar das projeções conservadoras para a WEG, o desempenho de sua concorrente global, a suíça ABB, oferece um contraponto. Relatórios do Itaú BBA e do Bradesco BBI apontam que a demanda por infraestrutura de energia e por centros de processamento de dados continua forte.
A divisão de Motores e Geradores da ABB registrou expansão no faturamento, impulsionada pelo mercado norte-americano. A administração da empresa suíça chegou a elevar suas projeções de receita para o ano, suportada por uma carteira de pedidos de US$ 30 bilhões.
Entretanto, a ABB também enfrentou desafios de rentabilidade devido à inflação nos custos de matérias-primas. O cobre, componente relevante para o setor, subiu cerca de 30% desde setembro de 2025, o que exige reajustes de preços para manter as margens operacionais.
