Veículos internacionais destacam sucesso do Pix e refutam críticas de Donald Trump
Reportagens da The Economist e do Wall Street Journal ressaltam o papel do sistema brasileiro de pagamentos na inclusão financeira.
Por Davy Albuquerque
Reportagens publicadas pela revista britânica The Economist e pelo jornal norte-americano Wall Street Journal destacam o sucesso do Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central (BC), e refutam as críticas feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
De acordo com a The Economist, as alegações de que o sistema funciona como um instrumento protecionista para prejudicar empresas de pagamento americanas, como Visa e Mastercard, não possuem fundamentos. A publicação explica que o sistema permite que qualquer instituição financeira licenciada no país se conecte à rede de forma livre.
A revista aponta que o principal motor da criação do Pix foi a necessidade de promover a inclusão financeira da população de baixa renda. Ao oferecer transferências gratuitas e instantâneas, o sistema incentivou os usuários a manterem salários e economias em contas bancárias.
Por que o sistema é alvo de críticas?
Apesar de defender a abertura do sistema, a The Economist reconhece que a estrutura pode levantar discussões sobre a concentração de controle de um sistema de pagamentos e de dados financeiros em uma única instituição, o Banco Central.
Já o Wall Street Journal ressaltou que sistemas privados, inclusive nos Estados Unidos, possuem custos elevados com tecnologia, prevenção a fraudes e retorno a acionistas, o que torna a competição com o modelo brasileiro um desafio técnico e financeiro.
O jornal destacou que o modelo brasileiro foi elogiado pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) como uma ferramenta de inclusão em sociedades desiguais, servindo de estudo para outros países.
O cenário das tarifas comerciais
O debate ocorre no contexto de uma proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, movida pelo USTR após investigação da Seção 301. O documento do órgão norte-americano aponta que o Brasil adota políticas que favorecem o Pix e colocariam empresas de pagamentos dos EUA em desvantagem.
Durante audiências públicas realizadas em 6 (domingo) e 7 (segunda-feira) de julho, o governo brasileiro optou por não enviar representantes para discursos, contando apenas com a presença de observadores da Embaixada do Brasil em Washington.
