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Economia

Previdência multimercado pode oferecer oportunidades em cenários de juros altos, avalia gestora

Especialista aponta que períodos de juros elevados podem permitir a compra de ativos de risco a preços baixos para o longo prazo.

Por Redação Diário Local

Os fundos de previdência multimercado podem servir como alternativa para diversificar a carteira de quem planeja a aposentadoria, especialmente em períodos de juros elevados no Brasil. Essa modalidade permite investir em diferentes tipos de ativos, buscando oportunidades que a renda fixa isolada pode não oferecer.

Para investidores que possuem disposição para enfrentar volatilidade — as oscilações no valor dos investimentos ao longo do tempo —, o cenário atual pode ser estratégico. Segundo Guilherme Cadonhoto, head de alocação da Grão Investimentos, períodos de juros altos podem abrir janelas para a compra de ativos de risco a preços mais baixos.

A estratégia é vista como uma opção para quem foca no longo prazo. Cadonhoto avalia que, com o momento atual, investidores podem adquirir excelentes ativos com boas taxas, desde que aceitem a oscilação de curto prazo do mercado.

O Arca Grão Previdência Advisory, fundo da gestora, recebeu o terceiro lugar na categoria Melhor Fundo de Previdência Multimercado na premiação Outliers InfoMoney 2026. A cerimônia de entrega do prêmio está confirmada para a próxima quarta-feira (28), no Teatro B32, em São Paulo (SP).

Como funciona a estratégia de diversificação?

Uma das abordagens para enfrentar diferentes cenários econômicos é a alocação estrutural. Nesse modelo, os investimentos são distribuídos entre quatro classes principais: ações brasileiras, mercado imobiliário, caixa e ativos internacionais.

Diferente de estratégias que alteram a carteira constantemente conforme as oscilações do mercado, o modelo estrutural mantém proporções previamente definidas para cada categoria. A equipe de gestão realiza ajustes principalmente na escolha de fundos e ETFs (fundos negociados em bolsa que acompanham índices de mercado) que compõem cada parcela.

O objetivo dessa estrutura é diminuir a dependência de apostas em um único tipo de investimento. Segundo a gestora, essa diversificação busca reduzir o impacto de imprevistos em setores específicos da economia.

No caso do fundo Arca, a parcela de investimentos internacionais teve papel importante no desempenho desde o lançamento do produto, no fim de 2022. Dados da gestora mostram que essa fatia acumulou valorização de 105,59% no período, enquanto o CDI (referência de taxa de juros) avançou 62,20% no mesmo intervalo.

Quais são os riscos e os custos envolvidos?

Um dos principais riscos apontados para fundos multimercados tradicionais é o erro na escolha da classe de ativos. Isso é especialmente relevante diante de incertezas sobre os juros, o cenário internacional e o contexto político brasileiro.

Em ambientes de alta incerteza, o risco reside em estar posicionado na classe de ativos errada em um momento de transição econômica. Por isso, a diversificação busca mitigar a possibilidade de perdas concentradas em um único setor.

Além do risco de mercado, o investidor deve observar as taxas cobradas pela gestão. As taxas de administração impactam diretamente a rentabilidade líquida ao longo do tempo, sendo um custo que permanece mesmo quando os resultados não são os esperados.

O Arca Grão Previdência Advisory possui taxa de administração de 0,59% ao ano e não aplica taxa de performance — cobrança adicional feita quando o fundo supera uma meta de rentabilidade. Cadonhoto ressalta que o cliente deve estar consciente de que custos de administração sempre impactam o bolso, mesmo que de forma imperceptível em momentos de lucro.

Para os próximos meses, a gestora pretende manter a distribuição atual entre as quatro classes de ativos. A expectativa é que uma eventual melhora no cenário brasileiro possa ampliar a diferença de rentabilidade em relação ao CDI.

Por fim, especialistas reforçam que o investimento previdenciário deve ter foco no médio e no longo prazo. A exposição a ativos de risco exige que o investidor tenha disposição para lidar com as variações naturais do mercado ao longo dos anos.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.