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Operação Policial

Receita Federal identifica R$ 11,6 bilhões em esquema de lavagem de dinheiro em fundos

Operação Crédito Oculto investiga o uso de contas-bolsão e fundos de investimento para ocultar patrimônio e financiar grupos criminosos.

Por Redação Diário Local

A Receita Federal identificou R$ 11,6 bilhões em movimentações atípicas envolvendo fundos de investimento, contas-bolsão e administradoras. A descoberta faz parte da operação Crédito Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (24), que investiga o uso de estruturas financeiras para ocultar patrimônio e financiar atividades criminosas.

A ação é a terceira fase da estratégia denominada Carbono Oculto. Segundo o Ministério da Fazenda, são cumpridos mandados relacionados a 19 empresas e 13 pessoas em sete estados brasileiros. O principal alvo da investigação é um grupo empresarial e a gestora Entre.

Como funcionava o esquema

De acordo com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a estrutura financeira utilizava fundos de investimento em participações (FIPs), fundos multimercado e contas gráficas para esconder operações. O objetivo central era permitir que uma usina de etanol, ligada a organizações criminosas, adquirisse uma distribuidora de combustíveis sem o devido controle das autoridades.

A investigação aponta que os recursos movimentados possuíam origens diversas, incluindo o comércio clandestino de combustíveis e o crime organizado. Esses valores eram empregados para financiar operações, realizar remessas de dinheiro para o exterior e corromper autoridades. Por decisão da Justiça, as atividades da distribuidora envolvida foram encerradas.

A operação é realizada de forma conjunta pela Receita Federal, pelo Ministério Público de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal.

Evolução da investigação

A operação atual é o desdobramento de etapas anteriores. A primeira fase, ocorrida em 2025, identificou uma usina de etanol vinculada a grupos criminosos que utilizava a administradora de fundos REAG para ocultar recursos. A empresa foi posteriormente liquidada pelo Banco Central (BC).

A segunda etapa, chamada Fluxo Oculto, focou no setor de fintechs, que passaram a ter a obrigatoriedade de prestar informações operacionais ao sistema financeiro e à Receita Federal. Já a fase atual, Crédito Oculto, mira justamente o uso de estruturas do sistema financeiro como instrumentos de lavagem de dinheiro.

Novas regras e fiscalização

O governo federal está implementando ferramentas de inteligência artificial para identificar anomalias em estruturas de fundos de investimento. O ministro Dario Durigan defendeu o uso de mecanismos como a e-Financeira, que obriga instituições a reportarem movimentações suspeitas para cruzamento de dados.

Além disso, o Ministério da Fazenda e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) coordenam uma revisão nas regras do mercado de fundos. A proposta, que conta com o entendimento do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), inclui novas normas para os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), que estão sob análise no Conselho Monetário Nacional (CMN).

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.