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Economia

Família Moll formaliza plano de sucessão para manter controle da Rede D’Or por 20 anos

Novo acordo de acionistas estabelece regras para o comando do grupo e garante poderes especiais a Paulo Moll em caso de vacância de Jorge Moll.

Por Redação Diário Local

A família Moll, controladora da Rede D’Or, formalizou novos acordos de acionistas para organizar a sucessão do fundador Jorge Moll e assegurar a continuidade do controle familiar sobre a companhia pelos próximos 20 anos. O arranjo estabelece regras para a tomada de decisões no bloco que detém 50,3% do capital social da rede de saúde.

Pelo novo modelo, Paulo Moll, atual CEO da companhia, terá poderes especiais de aprovação nas decisões do bloco controlador caso seu pai, Jorge Moll, venha a falecer ou fique permanentemente incapacitado de exercer seus direitos de voto. Caso Paulo também sofra morte ou incapacidade, as decisões do grupo retornarão ao mecanismo de maioria simples, sem a concessão de poderes especiais a outros membros.

As novas diretrizes também impõem restrições à transferência de ações e definem direitos de preferência na aquisição de papéis. Os acordos exigem que os acionistas da família exerçam o voto de forma coordenada e incluem herdeiros e sucessores, com o objetivo de preservar a unidade do grupo controlador entre as gerações.

Como funciona a sucessão na Rede D’Or?

De acordo com os novos documentos, Jorge Moll mantém poderes especiais de decisão enquanto puder exercer seu direito de voto. Na ausência de sua capacidade de voto, Paulo Moll assume a função diferenciada na governança familiar, mas sem decidir de forma isolada sobre todos os assuntos da rede.

O movimento ocorre em um cenário de movimentações recentes no mercado, como a venda de 62 milhões de ações da companhia pela gestora de Singapura, GIC, em abril de 2026. A atualização das regras busca mitigar incertezas e garantir a estabilidade da gestão estratégica a longo prazo.

Reação do mercado financeiro

Analistas do JPMorgan avaliaram o anúncio como ligeiramente positivo, apontando que a extensão do prazo do acordo e a clareza sobre a sucessão reforçam o compromisso da família com o negócio. O banco destaca que as regras dão previsibilidade sobre a governança do grupo.

O BTG Pactual também avaliou a medida positivamente, ressaltando que o novo regramento ajuda a reduzir incertezas e favorece a coesão do bloco controlador. Para a instituição, o arranjo preserva a continuidade das decisões estratégicas da companhia.

Histórico e estrutura da companhia

Fundada pelo médico cardiologista Jorge Moll, a Rede D’Or iniciou suas atividades com medicina diagnóstica e expandiu sua atuação para o setor hospitalar, inaugurando o Barra D’Or, no Rio de Janeiro, em 1998. O grupo consolidou sua presença nacional por meio de aquisições, como a do grupo São Luiz, em 2010, e da SulAmérica, em 2022.

No primeiro semestre de 2026, a rede registrou receita líquida de R$ 57,1 bilhões, um aumento frente aos R$ 54,2 bilhões registrados no mesmo período de 2025. A estrutura atual conta com 76 hospitais e 65 clínicas oncológicas, apresentando um lucro acumulado de R$ 4,79 bilhões até junho de 2026.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.