Diário Local
Economia

Entrada de US$ 2,4 bilhões no câmbio após primeiro turno deve ser seguida de reação moderada no segundo turno

Entrada recorde de dólares após o primeiro turno foi impulsionada pela antecipação de resultado eleitoral, afirma especialista.

Por Redação Diário Local

O fluxo cambial brasileiro registrou uma entrada de US$ 2,4 bilhões na semana seguinte ao primeiro turno das eleições presidenciais. O montante é o maior ingresso de recursos para esse período desde o início da série histórica do Banco Central, em 2008.

O movimento difere do histórico das últimas quatro eleições presidenciais, nas quais o país registrou saída de dólares na semana após o primeiro turno em três ocasiões. O resultado reflete a antecipação do mercado financeiro sobre o provável desfecho eleitoral.

Por que o mercado reagiu de forma intensa?

Segundo o especialista em câmbio Leonel Oliveira Mattos, o desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno ficou acima das expectativas, o que levou os investidores a interpretarem o resultado como um indício de vitória no segundo turno. Isso gerou uma busca por ativos nacionais, beneficiando o câmbio, a Bolsa de Valores e os juros futuros.

A queda do dólar para patamares abaixo de R$ 5,00 também influenciou o cenário, levando importadores a anteciparem operações e gerando entradas expressivas pela conta financeira.

Como deve ser a reação no segundo turno?

Diante da antecipação feita pelo mercado, a tendência é que a reação financeira ao segundo turno seja mais moderada. Em caso de vitória de Flávio Bolsonaro, Mattos avalia que pode haver uma valorização adicional do real e da Bolsa, mas sem a mesma intensidade observada após o primeiro turno.

Um cenário de reeleição de Lula, por outro lado, poderia provocar uma reversão no movimento. Como esse resultado não está precificado, seria interpretado como uma surpresa, o que poderia causar desvalorização da moeda brasileira e desempenho inferior das bolsas.

O que determina a atração de capital para 2027?

Para além do resultado eleitoral, a política fiscal será o fator determinante para a estabilidade econômica em 2027. A melhora das condições fiscais é vista como essencial para consolidar uma tendência de queda no câmbio e atrair capital financeiro de forma sustentável.

Embora medidas recentes do governo, como o aumento do teto do MEI e propostas sobre o Pix, gerem preocupação quanto ao orçamento de 2027, o foco dos investidores permanece concentrado no desfecho do segundo turno.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.