Mercado projeta corte da Selic para 14% em decisão do Copom nesta quarta-feira (5)
Com cenário externo de incerteza, mercado financeiro aposta em redução de 0,25 ponto percentual na taxa de juros básica.
Por Redação Diário Local
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reúne nesta quarta-feira (5) para definir o novo patamar da taxa Selic, a taxa básica de juros do país. O mercado financeiro projeta um novo corte de 0,25 ponto percentual, o que reduziria a taxa de 14,25% para 14% ao ano.
A decisão ocorre em um cenário de elevada incerteza internacional, influenciado pela escalada de conflitos no Oriente Médio e pelos impactos sobre os preços globais de energia. Somam-se a esse quadro as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, que geram volatilidade nos mercados.
Atualmente, a Selic está em 14,25%, após ter permanecido por um período prolongado em 15%. O ciclo de flexibilização monetária teve início em março, em meio ao agravamento de tensões geopolíticas envolvendo o Irã.
A expectativa de redução nos juros acontece mesmo com a inflação acumulada em 12 meses em 4,64%. O índice está acima do teto de 4,5% estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que define a meta de inflação em 3% com margem de tolerância.
Por que o cenário externo preocupa o Banco Central?
O Banco Central tem destacado que o ambiente externo permanece incerto devido à indefinição sobre o cessar-fogo em conflitos armados no Oriente Médio. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes devido à volatilidade de preços de ativos e commodities.
A instabilidade no setor de petróleo, decorrente das tensões entre Irã e Estados Unidos, é um ponto crítico. O aumento dos preços do barril pode encarecer os combustíveis no Brasil e, consequentemente, impactar os custos de transporte e diversos insumos nacionais, pressionando a inflação.
Outros fatores de risco incluem a aplicação de tarifas de 37,5% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, medida que afeta milhares de exportadores. Além disso, o veto da União Europeia à carne bovina brasileira adiciona novas incertezas ao setor de exportação.
O que diz o mercado financeiro?
A Warren Investimentos avalia que, embora o ideal fosse manter a Selic em 14,25%, a comunicação do Banco Central sinaliza a continuidade dos cortes. Para a instituição, o Copom busca uma política monetária que considere não apenas a meta de inflação, mas também a volatilidade de ativos e agregados macroeconômicos.
O economista-chefe do C6 Bank, Felipe Salles, projeta que o comitê deve justificar a calibração dos juros com base na projeção da inflação para o horizonte relevante. Ele ressalta, porém, que o mercado de trabalho aquecido e a resiliência da atividade econômica exigem prudência na condução da taxa.
