Setor de rochas busca novos mercados após aumento de tarifas nos Estados Unidos
Empresas do setor planejam diversificar exportações para Europa, Ásia e Oriente Médio para reduzir dependência do mercado americano
Por Redação Diário Local
O setor de rochas naturais brasileiras deve buscar novos mercados internacionais para reduzir a dependência dos Estados Unidos, que aplicaram novas tarifas sobre o produto. A estratégia visa mitigar os impactos de ser um dos 29 setores brasileiros mais afetados pelas medidas tarifárias norte-americanas.
A movimentação ocorre por meio do plano de diversificação de exportações '+ Caminhos + Negócios', anunciado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) nesta terça-feira (11) (terça-feira), em São Paulo. O programa prevê a aplicação de R$ 210 milhões em investimentos nos próximos 12 meses para apoiar os setores afetados.
A necessidade de diversificação é impulsionada pela alta concentração de vendas no mercado dos Estados Unidos. De acordo com a Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas), o país norte-americano é o destino de 73% das vendas externas brasileiras de chapas e produtos semimanufaturados do segmento.
Quais são as novas frentes de exportação?
O objetivo do setor não é abandonar o mercado norte-americano, mas manter a presença lá enquanto busca oportunidades em outros continentes. Entre os alvos para a expansão comercial estão a Europa, o Oriente Médio e a Ásia.
O planejamento estratégico está dividido em cinco frentes principais: a consolidação das vendas na Europa; o fortalecimento institucional no Oriente Médio; a ampliação do relacionamento comercial na Ásia; a atração de compradores internacionais para o Brasil; e o monitoramento dos impactos do acordo entre Mercosul e União Europeia.
A diversificação já era trabalhada pela Centrorochas e pela ApexBrasil por meio do projeto 'It’s Natural – Brazilian Natural Stone', que realiza estudos de mercado e missões comerciais. Com o novo cenário de tarifas, a associação protocolou uma proposta de ações complementares para acelerar o processo.
Logística e competitividade
Além da identificação de novos países com potencial de compra, o setor defende que a escolha dos destinos considere as condições logísticas. A análise deve levar em conta a competitividade dos produtos brasileiros, avaliando rotas disponíveis, frequência de transporte e custos de frete.
A intenção é evitar que um mercado seja escolhido apenas pelo tamanho da demanda, sem que as empresas brasileiras tenham capacidade de atender aos compradores de maneira competitiva. A discussão ocorre em um momento de mudanças nas cadeias globais de suprimentos.
No Brasil, o setor tem forte presença no Espírito Santo, com produção e beneficiamento concentrados principalmente no município de Cachoeiro de Itapemirim e região, com foco em mármore e granito.
