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Economia

Economista aponta que redes sociais explicam insatisfação com a economia apesar de indicadores positivos

Laura Carvalho analisa como o acesso a padrões de consumo globais via internet gera descompasso entre dados macroeconômicos e percepção popular.

Por Diário Local

A economia brasileira apresenta um cenário de contrastes entre os indicadores oficiais e a percepção da população. Enquanto o desemprego registra níveis baixos e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) segue acima de expectativas, uma parcela considerável dos brasileiros relata uma piora nas condições financeiras nos últimos 12 meses.

Para a economista Laura Carvalho, professora da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), parte desse descompasso é impulsionado pelas redes sociais. Segundo a especialista, o acesso constante a padrões de vida de classes muito mais abastadas e de mercados internacionais cria aspirações de consumo que nem sempre acompanham a evolução da renda do brasileiro comum.

O fenômeno gera uma homogeneização de desejos globais, resultando em uma sensação de insatisfação constante. De acordo com Carvalho, o que ocorre hoje difere do período de crescimento observado nos primeiros governos de Luiz Inácio Lula da Silva, quando a redistribuição de renda permitiu a inclusão de novas camadas da população no mercado de consumo básico.

Por que existe a percepção de piora econômica?

A análise de Carvalho aponta quatro fatores principais para a desconexão entre os resultados macroeconômicos e o sentimento popular. Além do impacto das redes sociais, ela destaca a inflação e seus efeitos contínuos no bem-estar, a comparação com o histórico de mobilidade social dos anos 2000 e a frustração de profissionais escolarizados que não encontram vagas de emprego compatíveis com sua formação.

A especialista observa que, embora programas sociais e a valorização do salário mínimo tenham reduzido a desigualdade entre a base e o meio da pirâmide social, a distância entre o topo e o restante da população permanece elevada. Essa concentração de riqueza e renda atua como um fator de perpetuação da desigualdade no país.

Como reduzir a desigualdade no Brasil?

Para reverter o quadro de desigualdade, a economista defende a expansão dos serviços públicos e a diversificação da economia, visando a criação de postos de trabalho qualificados. Ela também defende o avanço da agenda tributária, indo além da reforma do Imposto de Renda para discutir formas de taxação sobre a riqueza acumulada.

Carvalho argumenta que a concentração de riqueza é superior à concentração de renda, o que exige mecanismos que corrijam o patrimônio histórico acumulado. De acordo com a professora, a taxação apenas da renda pode frear o crescimento da desigualdade, mas não resolve o problema da acumulação de patrimônio nas mãos de poucos.

Outro ponto levantado pela economista é o papel da dívida pública no processo de transferência de renda. Para ela, o pagamento de juros elevados sobre a dívida acaba beneficiando detentores de alto patrimônio, o que contribui para a manutenção da estrutura de desigualdade no Brasil.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.