Volvo descarta meta de crescimento em vendas após retração de mercado na China
Desaceleração no maior mercado automotivo do mundo impactou lucro da fabricante sueca e provocou queda de 11% nas ações.
Por Davy Albuquerque
A Volvo descartou sua meta de expandir as vendas de automóveis este ano em razão de uma deterioração mais intensa do que o esperado no mercado chinês. A retração no maior mercado automotivo do mundo pressionou os resultados da fabricante sueca.
A fraqueza na China impactou a rentabilidade da empresa no segundo trimestre. A montadora reportou um lucro operacional de 826 milhões de coroas (US$ 85 milhões) no período, resultado que ficou abaixo das expectativas de analistas.
Após o anúncio, as ações da companhia despencaram até 11% em Estocolmo. A queda representa a maior variação negativa intradiária desde fevereiro, elevando as perdas acumuladas no ano para mais de um terço do valor de mercado da empresa.
Por que o mercado chinês afetou a Volvo?
Segundo o CEO da montadora, Håkan Samuelsson, o cenário é de incerteza política e a confiança do consumidor não apresenta bons níveis. A retração do mercado na China ocorreu de forma mais rápida do que a previsão da companhia.
Além do cenário chinês, as montadoras enfrentam outros desafios globais, como a volatilidade na demanda por veículos elétricos (EVs), a guerra de preços no setor e a lentidão na recuperação das vendas de elétricos nos Estados Unidos após o fim de incentivos à compra.
A exposição ao mercado chinês é um fator crítico para as fabricantes europeias, uma vez que o país responde por cerca de um terço do mercado automotivo global. Outras montadoras, como BMW e Volkswagen, também apontaram quedas na demanda chinesa como fator de desempenho fraco no segundo trimestre.
Perspectivas para o segundo semestre
Apesar dos resultados recentes, a Volvo projeta vendas significativamente mais fortes para o segundo semestre de 2026. A expectativa de crescimento é impulsionada pelo desempenho na Europa e por uma recuperação do mercado nos Estados Unidos.
Para o fechamento do ano, a empresa projeta um fluxo de caixa livre positivo e espera encerrar o ciclo de 2026 próximo ao ponto de equilíbrio (break-even). O executivo alertou, contudo, que o principal risco para o período é uma eventual piora no cenário macroeconômico.
No campo de custos, a fabricante informou que capturou 5 bilhões de coroas em economias de custos indiretos e variáveis este ano, atingindo a meta com seis meses de antecedência. O valor soma-se aos 8 bilhões de coroas economizados no ano passado.
