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Economia

Tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros podem encarecer cesta básica no Brasil

Taxação de produtos brasileiros pelos EUA pressiona o dólar e encarece insumos como trigo e fertilizantes, afetando o consumidor.

Por Redação Diário Local

A aplicação de tarifas de até 37,5% impostas pelo governo de Donald Trump a produtos brasileiros pode encarecer o preço da cesta básica no Brasil. Embora as taxas atinjam as exportações, a pressão sobre o dólar e o custo de insumos importados ameaçam elevar o valor dos alimentos nos supermercados nacionais.

O processo de protecionismo teve início na quarta-feira (22), com uma tarifa inicial de 25%. Na quinta-feira (23), foi anunciada uma taxa adicional de 12,5%, que passou a valer nesta sexta-feira (24). O governo norte-americano justificou as medidas alegando práticas desleais de mercado e a necessidade de combater o trabalho forçado em cadeias produtivas.

Em resposta, o Palácio do Planalto afirmou, em nota, que iniciará os trâmites para acionar a Lei da Reciprocidade, que permite ao Brasil aplicar tarifas equivalentes contra países que imponham barreiras comerciais unilaterais.

Por que o dólar pode subir?

A imposição das tarifas tende a valorizar o dólar frente ao real por dois canais principais. O primeiro ocorre porque, com a dificuldade nas exportações brasileiras, há uma entrada menor de dólares no país. O segundo motivo é o comportamento de investidores globais, que buscam ativos mais seguros em cenários de guerra comercial, retirando capital do Brasil.

A economista Petra Duque explica que esse efeito do câmbio na inflação, conhecido como pass-through cambial, não é imediato devido à existência de estoques e contratos futuros com preços já estabelecidos. Contudo, existe o risco do "efeito tesoura", em que os custos de produção sobem pela alta de insumos dolarizados enquanto a demanda do consumidor é restringida pela falta de ganho de renda.

Para evitar o repasse imediato de preços, algumas empresas podem optar por reduzir as margens de lucro ou adotar a "inflação invisível", que consiste na redução do tamanho das embalagens mantendo o mesmo preço do produto.

Como isso afeta a cesta básica?

O aumento do dólar encarece itens fundamentais como o trigo, utilizado na fabricação de pães, macarrão e biscoitos, além de fertilizantes usados na produção agrícola. Segundo o economista Aurelio Trancoso, essa variação cambial é repassada diretamente para o preço dos alimentos no varejo.

Embora possa haver uma queda temporária nos preços de soja, milho e carne em curto prazo, o cenário de longo prazo é de preocupação. Com a redução das exportações, produtores podem plantar menos na safra seguinte, o que encarece a ração animal.

A consequência direta desse movimento é a alta nos preços das proteínas, como carne bovina, suína, frango, ovos e leite, além de produtos derivados da soja, comprometendo o orçamento familiar com alimentação.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.