Tesouro Direto apresenta atraso na abertura nesta segunda-feira (26) após disparada de juros
Negociações da plataforma apresentaram atraso de cerca de uma hora nesta segunda-feira (26) devido à volatilidade do mercado financeiro.
Por Redação Diário Local
A abertura das negociações do Tesouro Direto apresentou um atraso de cerca de uma hora nesta segunda-feira (26). O problema ocorre em meio à disparada dos juros futuros após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva no domingo (25), que venceu o senador Flávio Bolsonaro por cerca de 4,4 milhões de votos.
Em dias de alta volatilidade, a plataforma do Tesouro Direto pode apresentar atrasos na abertura ou até suspender as operações temporariamente. No primeiro pregão após o primeiro turno, as negociações haviam começado apenas às 11h28 (horário de Brasília).
Por que os juros subiram após a eleição?
O movimento reflete a reprecificação do mercado financeiro. Como os preços dos ativos já embutiam uma possível vitória de Flávio Bolsonaro, a reeleição de Lula aciona uma correção nas taxas.
O economista Luiz Cesario afirma que a piora nas taxas tende a ser mais intensa do que a melhora que ocorreria com a eleição do senador. Segundo Alfredo Menezes, o aumento nas taxas longas pode ser de pelo menos 1 ponto percentual no cenário de vitória do atual presidente.
Para o economista Bruno Corano, o mercado passaria a incorporar o custo das medidas anunciadas no ano eleitoral, o que pode levar os juros futuros de longo prazo para a faixa de 14% a 15%.
Qual o impacto nos títulos?
A marcação a mercado, que é o ajuste do preço do título ao valor de mercado atual, atinge principalmente os papéis mais longos. Uma alta de 1 ponto percentual na taxa reduziria o preço do Tesouro IPCA+ 2050 em cerca de 20%.
Já o Tesouro Prefixado 2032 perderia aproximadamente 4,4% de seu valor, enquanto o Prefixado 2029 teria uma queda de cerca de 2%. O banco JPMorgan projeta que, em um cenário pessimista, as taxas dos títulos públicos podem alcançar 15,5%.
O banco informou em nota a clientes que prefere aguardar a reação do mercado antes de ajustar suas recomendações de investimento, dado que a reprecificação do primeiro dia pode ser considerável.
O que fazer com os investimentos?
A queda no preço dos títulos só resulta em prejuízo real para o investidor que decide vender o papel antes do vencimento. Quem mantém o título até o final recebe a rentabilidade contratada no momento da compra.
Para quem busca proteção no curto prazo, Bruno Corano indica os títulos pós-fixados, categoria na qual se enquadra o Tesouro Selic. No entanto, ele ressalta que a alta dos juros também cria oportunidades para investidores de longo prazo após a estabilização das taxas.
O próximo passo relevante para o setor é a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), agendada para a próxima terça-feira (4 de novembro).
