Trump anuncia novas tarifas de até 12,5% para mais de 80 países para manter política comercial
Medidas utilizam nova base legal para combater trabalho forçado e visam manter política comercial após decisões da Suprema Corte.
Por Redação Diário Local
O presidente Donald Trump anunciou, nesta quinta-feira (24), a aplicação de novas tarifas entre 10% e 12,5% para mais de 80 países, englobando a maioria dos principais parceiros comerciais dos Estados Unidos. A medida utiliza uma nova fundamentação jurídica para manter a política tarifária ativa após obstáculos na Suprema Corte.
A administração utiliza a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento que permite aplicar taxas sobre produtos importados sob a alegação de práticas comerciais desleais. O objetivo declarado é combater perdas de empresas americanas decorrentes do uso de trabalho forçado na produção de bens destinados ao mercado dos Estados Unidos.
Como as novas tarifas funcionam?
As novas tarifas substituem as alíquotas globais de 10% que tinham validade limitada até a última sexta-feira (25). De acordo com analistas, como o economista Thomas Ryan, da Capital Economics, a mudança jurídica busca conferir maior resistência às taxas diante de possíveis contestações nos tribunais.
Embora a base legal tenha mudado, a estimativa é de que o impacto econômico seja contido. Especialistas preveem que a tarifa efetiva média sobre as importações americanas permaneça em torno de 10%, patamar similar ao registrado nos últimos meses.
A repercussão entre empresários, no entanto, é de cautela e questionamento. Rick Woldenberg, CEO das empresas Learning Resources e hand2mind, afirmou que o governo não provou que o trabalho forçado causa perda de negócios para o setor e classificou as novas taxas como inflacionárias.
Qual o impacto para as empresas e consumidores?
O setor corporativo apresenta reações distintas. A General Motors informou que projeta custos brutos entre US$ 2,5 bilhões e US$ 3,5 bilhões com tarifas ainda este ano, embora a rentabilidade da companhia siga dentro das expectativas. Por outro lado, pequenos produtores, como o proprietário da Wisconsin Knitwear, Steven Arenzon, relatam dificuldades para absorver o aumento de custos de insumos.
O impacto nos preços já é observado em bens físicos. Segundo a Kelley Blue Book, os custos tarifários adicionaram entre US$ 1.600 e US$ 9.000 ao preço de veículos novos neste ano. Além disso, economistas do Federal Reserve estimam que as tarifas elevaram em cerca de 3,1% os preços de bens básicos até fevereiro.
No caso de produtos que utilizam fios vindos do Brasil, o cenário é de aumento de carga. Com a nova tarifa relacionada ao trabalho forçado somada aos 25% aplicados recentemente às importações brasileiras, a alíquota total pode chegar a 37,5%.
O que mudou na economia americana até agora?
Apesar das tensões comerciais, o PIB dos Estados Unidos cresceu 2,7% no comparativo entre o primeiro trimestre de 2025 e o mesmo período de 2026. Esse crescimento foi impulsionado pelo consumo das famílias e por investimentos em inteligência artificial.
Contudo, os objetivos de redução do déficit comercial e impulsionamento da indústria manufatureira não foram plenamente atingidos. Nos cinco primeiros meses de 2026, o déficit comercial somou US$ 297,91 bilhões, e o setor industrial, embora tenha crescido 3,1% desde o retorno de Trump à presidência, registrou uma redução de cerca de 75 mil empregos em comparação a janeiro de 2025.
