Aposta exclusiva no turismo pode comprometer o desenvolvimento do Rio de Janeiro, alerta análise
Dependência excessiva de um único setor e perda de controle territorial podem repetir declínios vistos em Detroit e Acapulco.
Por Redação Diário Local
A dependência excessiva do setor de turismo pode comprometer a estabilidade econômica e o desenvolvimento do Rio de Janeiro, ao evidenciar a falta de uma base produtiva diversificada. A análise aponta que a cidade corre o risco de repetir erros estruturais observados em cidades como Detroit, nos Estados Unidos, e Acapulco, no México.
No caso de Detroit, a prosperidade esteve ligada à indústria automobilística por décadas, mas a migração das fábricas provocou desindustrialização, desemprego e queda na arrecadação. Já o exemplo de Acapulco mostra que focar apenas na fama de destino turístico, ignorando a perda de controle territorial para o crime, torna o setor vulnerável.
O Rio de Janeiro tem enfrentado um enfraquecimento de sua atividade industrial nas últimas décadas, com a perda de empresas e de postos de trabalho de maior qualificação. Embora o processo não tenha causado um colapso como o de Detroit, ele reduziu um dos pilares que sustentavam a economia fluminense.
A estratégia adotada para suprir essa lacuna tem focado na vocação natural da cidade para o turismo. O risco apontado é que o setor seja tratado como substituto da indústria e da economia do conhecimento, em vez de ser um ativo complementar à produção de riqueza.
Por que a falta de diversificação é um risco?
A ausência de investimentos em inovação, tecnologia e novos setores industriais pode deixar a economia urbana vulnerável a crises. A reconstrução da base produtiva é vista como essencial para gerar empregos qualificados e garantir o crescimento sustentável.
Além disso, o modelo imobiliário atual tem direcionado o solo urbano para o mercado de short stay (estadias curtas). Esse formato de empreendimento é voltado prioritariamente ao visitante, o que amplia a oferta turística, mas contribui pouco para a reconstrução da capacidade produtiva da cidade.
Como a segurança afeta a economia urbana?
A governança territorial é um fator determinante para a sustentabilidade de qualquer modelo econômico. Relatos de que vendedores ambulantes são obrigados a pagar taxas impostas por criminosos para trabalhar em praias famosas indicam uma dificuldade do poder público em exercer autoridade plena.
Quando atividades econômicas passam a depender da autorização de organizações criminosas, a imagem da cidade é afetada para além dos cartões-postais. O cenário demonstra que não existe destino turístico de sucesso quando o poder público perde espaço para a criminalidade.
Para evitar o declínio, o desenvolvimento exige uma economia diversificada e a capacidade das autoridades estadual e municipal de exercerem controle sobre todo o território, de forma coordenada.
